História das ventosas

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Olá pessoal. Estou aqui novamente e mais uma vez com o tema das ventosas.
A ventosaterapia é um tratamento que usa-se o vácuo em copos, ou objetos com essa forma, para realizar a sucção da pele, promovendo vários benefícios que vai muito além do que os observados na pela (parte externa do corpo).

Dessa vez vamos passear um pouco na história dessa terapia, que data muito tempo atrás e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros.
Caso queira saber sobre o benefícios no tratamento da ventosa clique aqui.

Como já é de costume aqui no O Acupunturista, eu escolhi autores que falam muito bem sobre isso e vou por vezes copia-los ou parafrasear suas citações já que são nomes de grande importância na área, são eles Ilkay Zihni Chirali e Julian Scott.

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Ventosas de vidro

Os primeiros métodos de aplicação de ventosas

A ventosa terapia é utilizada há centenas de anos na China.
Inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio.

Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han, em 1973. Alguns métodos terapêuticos de aplicação de ventosas também foram encontrados em um livro por Zouhou Fang, ao redor de 28 aD. O tratamento de alguns casos de tuberculose foram registrados em Weitaimiyao, em 755 aD. Trezentos anos depois, outro clássico antigo, Susen Liang Fang, registrou a cura de uma tosse crônica e o restabelecimento da saúde após mordeduras de cobra venenosa por meio da ventosaterapia (Che Bin, Dr.He Chong, comunicações pessoais, 1995).

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Ventosas de chifre

Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiencia acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Atualmente pode ser utilizadas para o tratamento das síndromes “Bi”, asma, resfriado comum, tosse crônica, problemas de indigestão e de algumas patologias da pele. Durante a dinastia Jin, Ge Hong (281-341 aD), em seu livro “A Handbook os prescriptions for emergencies“, mencionou pela primeira vez o suso de chifres de animais como meios de drenagem de pústulas. Zhao Xueming, da dinastia Qing (1644-1911), em seu Suplemento ao “Outline of herbal pharmacopoeia“, escreveu um capítulo à parte sobre o assunto sob o título “Fire-Jar Qi” (O Qi do Jarro de Fogo). A ventosa natural feita de chifre foi substituída por ventosas feitas com bambu, cerâmica ou vidro.

A um ditado na China “Com Acupuntura e ventosa, mais da metade das doenças é curada”. Zhao Xue Ming, um médico que viveu a mais de 200 anos, compilou um livro intitulado Ben Cao Gang Mu She Yi, no qual ele descreve detalhadamente a história e a origem dos diferentes tipos de aplicação de ventosas, suas formas, funções e aplicações.

Nos anos 50, a eficacia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica.

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Ventosas de plástico/acrílico

No Ocidente

Os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o suso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Naquela época havia duas escolas com filosofias distintas em relação a doença do corpo ou fazer sangrar com o intuito de drena-la.
Galeno frequentemente censurava o renomado médico Erasistraus, que clinicava em Alexandria, no Egito, no terceiro século a.C., por não fazer o uso de ventosas. Erasistraus usava o jejum para quase todo tipo de cura. Entre os egípcios e as várias nações que habitavam aquele país, parece que a aplicação de ventosas tem sido considerada uma forma de tratamento para quase todo tipo de doença te também um meio importante para preservar a saúde.

Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.”

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Ventosas de borracha

Em seu livro “Galen on blood letting”, Peter Brain indica que, para Galeno (129-200 aD), a doença e a saúde eram definidas em termos de sua natureza. “A doença é um estado artificial do corpo”, declara Galeno, “que prejudica uma função. A saúde é um estado que está em harmonia com a natureza e que determina as funções”. Podemos ver a semelhança com a teoria da MTC, onde a doença ocorre pelo desequilíbrio do yin e yang.

Galeno continua demonstrando estratégias de tratamento quase idênticas aos citados no antigo tratado chinês abordado em “o livro do imperador amarelo”, na relação paciente, enfermidade e natureza, informa também que essa também era a opinião de Hipócrates.

A milhares de anos, todos os autores médicos distinguem duas formas de aplicação de ventosas: Seca e Molhada. Na aplicação Seca, não há remoção de sangue do corpo. Remove-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele, que fica intumescida (inchada). Na técnica Molhada, o processo começa com a aplicação Seca e, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar sangue.

O cirurgião Charles Kennedy escreveu em 1826 “A arte da aplicação de ventosas tem sido tão bem conhecida e seus benefícios há tanto tempo percebidos, que é absolutamente desnecessário trazer testemunhos a favor do que tem recebido aprovação não somente da comunidade moderna, mas também a ratificação dos mais antigo povos da história humana”.

Entre os egípcios, que introduziram a sangria na Grécia, a aplicação de ventosas era o tratamento habitual para quase toda enfermidade e, sem dúvida, eles herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, de quem obtiveram outros conhecimentos.

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Ventosas elétricas

Samuel Bayfield ilustra cinco diferentes tamanhos de equipamento de ventosa em seu livro. Ele faz a seguinte avaliação da história das ventosas na Europa:
“Essa antiga arte foi levada dos egípcios aos gregos por Cecrops, que emigrou com seus companheiros do Egito, estabeleceu uma colônia na Grécia e construiu a cidade de Atenas no ano do Mundo de 2448; apesar de haver indícios de que essa prática já era conhecida entre antigas civilizações de outros países e até em algumas tribos de selvagens incultos, a origem real desse método ainda é obscura e não há como comprovar as primeiras práticas, pois não há registro delas. Verificou-se que os nativos da América, hotentotes, hindus, habitantes das Ilhas do Mar do Sul e da Nova Holanda, japoneses e chineses praticavam há muito tempo a operação de aplicar ventosas”. “Observando outra parte dos trabalhos de Hipócrates, parece que os mais antigos médicos gregos faziam uso de ventosas grandes, empregadas para a redução de deslocamentos de vértebras, pois supunham que os ossos, quando protuberantes para dentro, poderiam ser colocados de volta a sua posição normal pela sucção com ventosas”. De Hipócrates, que morreu com a idade de 101 anos em Larissa, na Tessália, no ano 361 a.C, essa arte foi passada por sucessivos médicos, os quais valorizaram ou negligenciaram o método!”
“No ano 360, floresceu Oribasius, professor de Medicina de Alexandria e médico de Júlio, o apóstata. Ele tece muitos comentários sobre sangrias localizadas e ventosas. No século quinto, com o final da intervenção dos godos, vândalos e outros bárbaros destruíram todos os centros de erudição e aniquilaram as artes , não só as científicas como todas as artes de forma geral; os conhecimentos de medicina também sucumbiram com a ruína generalizada; mas no século nove, depois que os sarracenos expulsaram os godos, encontramos esse método nas mãos dos árabes na Espanha, os quais fizeram uso da técnica por trezentos ou quatrocentos anos. No ´seculo seguinte, encontramos Rhazes empregando amplamente essa técnica associada com a escarificação, por meio da qual ele curou o Rei Hamet de um ataque de apoplexia. Com a ciência árabe começando a se estender para a Itália – para os espanhóis eles estabeleceram correspondência médica com os médicos italianos – e os gregos emigrando para a Itália no século 15, a Itália se tornou o campo favorito da ciência médica”. “Em 1683, Bellini, um eminente médico italiano, favoreceu o procedimento da Técnica Seca de Ventosa”.

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Ventosas de bambu

Declínio do uso de Ventosas

A utilização das ventosas desapareceu na América e na Europa no início do século 20, mas seu desaparecimento foi gradual e quase despercebido. Alguns dos dispositivos mais sofisticados para aplicação de ventosas foram inventados num período em que os médicos, em sua maioria, já consideravam as ventosas ineficazes. Um dos últimos defensores da sangria na América, Heinrich Stern, escrevendo em 1915, também defendeu o uso de uma bomba de sucção elétrica para retirar sangue. Ele declarou que as equimoses poderiam se prolongar com o uso de um motor elétrico por 15, 30 minutos, ou mais Além de alguns dispositivos sofisticados, as ventosas simples, especialmente a técnica seca das aplicações, continuaram sendo razoavelmente utilizadas até o início da década de 40. Embora as aplicações de ventosas não fossem mais indicadas pelos médicos, a maioria das companhias de material cirúrgico fazia propaganda de ventosas, escarificadores e conjunto de ferramentas para o tratamento com ventosa durante a década de 20 e até nos anos 30. Depois desse período, nunca mais foi usada por um médico, sendo relegada aos serviços dos barbeiros. Era comum o anúncio na vitrine de uma barbearia: “Ventosas para resfriados”.
A descoberta dos vários antibióticos e das drogas redutoras da febre também contribuiu para o declínio da ventosaterapia.

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Novo interesse pela ventosaterapia

Hoje em dia, à medida que aumenta o número de pessoas que buscam as terapias alternativas para tratar seus problemas de saúde, as terapias como aromaterapia, reflexologia, quiroprática, osteopatia, Tui-Na, massagem e Acupuntura se tornaram populares. A educação e a conscientização das pessoas também mudaram, passando a ver aqueles remédios “charlatanescos” como tratamentos alternativos mais respeitáveis. tanto na América como na Europa, a instrução do terapeuta alternativo tem outro propósito. Infelizmente, a maioria das escolas de Acupuntura não inclui em seu currículo a carga horária adequada para o estudo da ventosaterapia.

Tipos de ventosas

No decorrer desse texto fui postando fotos de diferentes formas de ventosas, entre elas: ventosas eletromagnéticas, portáteis, ventosas com parafusos, com válvulas, com tampos de borracha, de bambu e de vidro.

Os benefícios da VENTOSA…TERAPIA

Que tema hein!
Atualmente a ventosa é a queridinha da MTC no ocidente, todos estão ouvindo falar, todos querem fazer e muitos profissionais querem aprender (cá entre nós, muitos só fazem passar no corpo), algumas áreas da alopatia estão cheias de cursos com certificações de algumas horas, 1 ou 2 finais de semanas, com base para dor, para relaxamento e a mais falada liberação miofascial, mesmo que na MC nem se fale na maioria desses termos. A tradicional Ventosaterapia vai muito além do que simplesmente tratar dores e desconfortos.

Decidi tratar logo desse assunto, pulando algumas etapas, devido a tantas perguntas sobre isso, foram áudios no watsapp e explicações no instagram, mas agora basta mandar esse link e tirar as dúvidas remanescentes depois.

cuppingUm pouco sobre a ventosa

Ainda vou falar sobre a história da ventosa antiga e hoje com a modernidade, mas vou deixar esse assunto para o próximo post. Vou deixar aqui duas citações básicas sobre Ventosaterapia.

A ventosaterapia é uma técnica de tratamento milenar usado por chineses e egípcios, que foi sendo aperfeiçoada por médicos da Medicina Tradicional Chinesa. O primeiro instrumento de ventosaterapia era chifres ocos e são utilizados até os dias de hoje, na prática médica rural. Depois, surgiu vários tipos de ventosas como as de vidro, bambu e plástico. As ventosas são usadas juntamente com uma pressão negativa sobre a pele, onde ocorre o aumento da oxigenação dos tecidos e a ativação da circulação. (BORGES, 2006)

Segundo Wen, “a ventosaterapia é um método que utiliza a pressão negativa dentro de um recipiente que suga a pele e provoca hiperemia e hemorragia, estimulando o tecido local ou as terminações para a cura de patologias.” (WEN, 1985)

Quais os benefícios?

A aplicação de ventosas regulariza o fluxo do Qi e de Xue e ajuda a extrair e eliminar os fatores patógenos como Vento, Frio, umidade e calor. As ventosas também movimentam o Qi e o xue e abrem os poros da pele, precipitando a remoção de agentes patógenos através da própria pele. Alguns estudiosos dizem que nada movimente o qi e o xue mais rapidamente que a ventosa. Logo na primeira aplicação podemos ver o sangue vindo em direção a ventosa. Quando a energia do paciente for deficiente, o fluxo será lento e quando for abundante, o fluxo será muito mais rápido. Pode-se notar objetivamente esse processo, se forem usadas cúpulas transparentes (vidro, acrílico)
Qualquer que seja o tipo de ventosa usada, o objetivo do tratamento é o mesmo, ou seja, remover o agente patógeno externo do corpo e restaurar a circulação do qi, do xue e dos fluidos e, desse modo, promover a saúde.

O efeito dessa terapia pode ser classificado em duas grandes categorias: efeito geral (purificação do sangue, melhora das funções circulatórias, aperfeiçoamento e regularização do sistema nervoso autônomo, etc.). Efeito local (remoção da dor, relaxamento de músculos retesados, etc.).

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Efeitos sobre a pele

De acordo com a experiencia de um homem de 35 anos de idade, o pelo que era fino em suas costas se tornou grosso e cresceu cerca de 1 a 1,5cm após aproximadamente 140 aplicações do tratamento por esse método. A explicação é que por meio da pequena força de tração, há um estímulo físico direto nas raízes dos pelos e na dilatação dos vasos sanguíneos da pele, o que provoca aumento da circulação sanguínea, aumento da temperatura da pele, estímulo do metabolismo no tecido cutâneo, melhor funcionamento das glândulas sebáceas e sudoríparas e da respiração cutânea e suprimento adequado de nutrientes aos tecidos. O ponto essencial da Ventosaterapia não é apenas remover o sangue velho estagnado no interior da pele, mas também substancias venenosas da sua superfície. Esse método acelera a secreção de sais e substancias sebáceas e a excreção de água. Outro ponto importante é que fortalece o poder renovador da pele e sua resistência contra vários agentes nocivos.

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Efeitos sobre os músculos

O princípio da ventosa provoca uma força de tração que estimula os capilares subcutâneos dos músculos. Dessa forma, a dilatação dos vasos sanguíneos facilita o fluxo de sangue nos músculos. O efeito provoca um enorme beneficio sobre ombros retesados, por exemplo, por remover o sangue congestionado. Além de disso, facilita o fluxo de linfa. Após uma sessão de Ventosaterapia, a pele ficará avermelhada pelo maior fluxo sanguíneo e aumento da temperatura na pele e nos músculos.

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Efeito sobre as articulações

O reumatismo articular cronico é  uma das patologias para as quais a Ventosaterapia se mostra eficaz. Nesse caso, o tratamento é concentrado na área das articulações acometidas. Quando o caso for brando, a cura quase completa é possível, porque as ventosas promovem melhor fluxo de sangue no interior da articulação e melhor desempenho e secreção dos fluidos sinoviais. Se houver espasmos musculares na área próxima às articulações, eles podem também ser aliviados.

Efeitos sobre os órgãos digestivos

A maioria dos pacientes que se submetem à Ventosaterapia na região do estômago sente fome depois da aplicação. Os órgãos digestivos, especialmente o Baço e Estômago, são considerados as “locomotivas” do corpo humano e o tratamento desses órgãos é considerado um dos mais importantes, da mesma forma que o tratamento do Jiao Médio também é considerado importante. Em outras palavras, já que o poder natural de cura do corpo deriva sua energia principalmente dos órgãos digestivos, dá-se grande ênfase ao tratamento de estômago, baço e intestinos. A pequena força de tração sobre o ventre estimula o interior dos órgãos, seus movimentos peristálticos e a secreção de fluidos digestivos e, desse modo, fortalece o poder de digestão, de absorção de nutrientes e de secreção. É por isso que essa terapia tem efeitos notáveis sobre transtornos gastroentéricos crônicos e sobre a constipação. Esses órgãos são afetados favoravelmente mesmo durante o tratamento das costas pelo estímulo dos nervos espinhais e do sistema nervoso autônomo. Além disso, a terapia fortalece os músculos dos órgãos respiratórios.

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Efeitos gerais da Ventosaterapia

Purificação do sangue

Entre os efeitos gerais, o mais importante é aquele sobre o sistema circulatório. O professor Kentaro Takagi, da Universidade de Nagoya, diz que as terapias que estimulam a pele são significativas por despertarem as maiores respostas no sistema circulatório. Suas observações não se referiam necessariamente a Ventosaterapia, mas tem muito em comum com as terapias estimulantes da pele que ele mencionou. Devido a essa pequena força de tração, o fluxo de sangue nas artérias e veias aumenta, embora, no segundo caso, pontos localizados de sangue congestionado apareçam e logo desapareçam. É possível liberar o fluxo da circulação sanguínea onde houver bloqueios ou congestões e interromper o extravasamento inflamatório dos fluidos dos tecidos. portanto, a característica mais importante dessa terapia é facilitar o fluxo de sangue. Ela é muito benéfica para artérias endurecidas. O Dr.Katase, da Universidade de Osaka sugere que essa terapia pode influenciar a composição do sangue: promove o aumento das células brancas e vermelhas e transforma o sangue ácido em alcalino ou neutro. Isso leva à purificação do sangue.

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Efeitos sobre o sistema nervoso

A Ventosaterapia estimula as papilas sensitivas da pele. Como já foi demonstrado em um experimento clínico conduzido na Universidade de Kobe, os efeitos inibidores na dor hipersensitiva não se limitam à área do tratamento, mas se estendem às áreas controladas pelos nervos envolvidos. O tratamento na região dorsal é direcionado principalmente para a linha central (nervos espinhais e nervos parassimpáticos) e para os nervos simpáticos localizados lateralmente. O estímulo desses nervos tem, pode-se dizer, uma boa influência não só no próprio sistema nervoso autônomo, como também nos vários órgãos sob seu controle. A Ventosaterapia é, como a massagem, eficaz contra a assim chamada síndrome do desconforto generalizado, como dores de cabeça crônicas, vertigem, abatimento, tensão muscular, fadiga, etc. São sintomas supostamente originados da ansiedade, da preocupação e da dor física. Também é eficaz contra doenças crônicas endógenas, tais como hipertensão arterial, neuralgia e reumatismo. Durante a aplicação de ventosas nas costas ou na região lombar, por exemplo, alguns pacientes de meia-idade ou de idade avançada adormecem e chegam a roncar bem alto. Isso demonstra claramente um dos efeitos sobre o sistema nervoso.

A Ventosaterapia é adequada para o tratamento de dores, síndromes-Bi, transtornos dos sistemas digestivo, circulatório e respiratório, algumas patologias da pele, como furúnculos e eczema, paralisia facial, fraqueza dos músculos, hipertensão arterial, resfriados, etc.

– Pele –cupping1

Qualquer estímulo com objetivo a influenciar ou manipular os órgãos internos ou externos começa obrigatoriamente na pele. A pele é o maior órgão do corpo, contendo líquido, sangue (xue), vasos sanguíneos, tecido conjuntivo, muculos e um rico suprimento nervoso. O primeiro contato do nosso corpo com o mundo é feito através da pele. A pele reflete também a nossa saúde: a pele de uma pessoa saudável é brilhante, firme e a textura é macia. Ela reage às mudanças de temperatura e é normalmente cálida ao toque. Porém, quando o organismo está doente, sua aparência se torna embaçada, sem vida, pálida e geralmente fria ao toque.

Os 14 principais canais que possuem uma ligação direta com os órgãos internos (zangfu) também situam-se na pele. Ao estimular um determinado ponto, com  acupuntura, massagem, gua sha, moxa ou ventosa, o objetivo é o mesmo, atingir e mudar o xue e o Qi de um determinado órgão, por meio da manipulação da pele.Se olharmos esse fato sob o ponto de vista da Medicina Ocidental, é por meio da rede composta pelos vasos sanguíneos, veias, artérias, sistema nervoso e tecido conjuntivo, cada célula em uma determinada área, que se dá essa influencia. No entanto, sob o ponto de vista da Medicina Tradicional Chinesa, a responsabilidade é dos canais, dos colaterais, do xue e do Qi. De acordo com a MTC, o pulmão controla a pele, quando a energia dos pulmões é abundante, a pele fica nutrida, brilhante e trabalha bem, o cabelo e as unhas recebem nutrição adequada e ficam com aparência saudável. Os pulmões difundem o Qi e os fluidos por todo o corpo através da pele. Dessa forma, a umidade depende também de pulmões saudáveis. Cada órgão zangfu é representado, na pele, por um meridiano, portanto, há uma conexão via pele para os agentes patógenos externos.

– Sangue –cupping2

“É um tipo de substancia resultante da transformação da essência dos alimentos, produzida pela atividade funcional de Qi, que circula pelos vasos sanguíneos e nutre os tecidos do corpo.”
Dentro da filosofia da MTC o sangue (xue) é derivado dos alimentos e do Qi e produzido pelo Baço.
Como a pele o sangue tem uma função diferente, sob o ponto de vista da MTC, em relação a Medicina Ocidental. Uma das características mais importantes do sangue na MTC é que ele contem Qi (energia). Qi é a locomotiva do sangue.
Xue é inseparável do Qi. Qi infunde vida no Xue, sem Qi, o Xue seria um fluido inerte.”

Onde o Qi se move, o sangue também se move e vice-versa, onde o sangue se move, Qi o segue. Quando comparados, o sangue é Yin e o Qi é Yang. O sangue circula nos vasos sanguíneos e também nos meridianos e colaterais.

– Qi –Qi1

“A energia da vida”, “força Vital”, “Força de Vida”, “Energia” são termos usados no Ocidente para tentar descrever o significado de Qi, mas não há equivalente no Ocidente. Quase sempre escutamos comentários como “A semana passada eu estava muito mal e meu nível de energia estava tão baixo que a única coisa que consegui fazer foi ficar na cama. Hoje me sinto melhor e mais energético e muito mais forte também”. Em outras palavras, todos nós sentimos continuamente a presença de Qi.

Os chineses acreditam que o corpo humano, seus tecidos, músculos, tendões, ossos, medula e mente, compreendendo emocional, lógico e espiritual, devem estar em equilíbrio (Yin e Yang) com Qi agindo como um éter interconectado. Quando dirigido pode-se sentir seu movimento pelo corpo em determinadas circunstâncias e pode dar origem a uma variedade de efeitos, como sensações de formigamento, calor e assim por diante.

Qi se expressa pelo movimento e pelo calor. Qualquer tipo de movimento necessita de Qi e, muitas vezes, é manifestado como calor. A falta de energia, por outro lado, se manifesta como frio. Na prática clínica, também, quando um paciente se quixa de frio, o sintoma muitas vezes é acompanhado de falta de energia. Bom fluxo de Qi garante que os órgãos do corpo funcionem corretamente e que o sistema imunológico é ótimo.
Ao tratar uma doença que se encontra no nível de Qi, de acordo com os Quatro Níveis de Diferenciação das Síndromes, o agente patogênico externo ainda está lutando no nível da pele e a resistência geral do corpo ainda é boa. Algumas das manifestações clínicas são febre alta, tosse com muco amarelado e transparente, chiado e sede. A Ventosaterapia nesse nível é uma forma de tratamento muito eficaz.

É um velho costume turco: quando uma cadeira é desocupada, esperar que esfrie antes de outra pessoa se sentar nela. Há uma preocupação genuína e o medo de pegar a doença oculta da outra pessoa por intermédio do calor do seu corpo retido na cadeira.

– WEI QI –post-07-22-4

Wei Qi é o Qi protetor/defensivo que se move logo abaixo da pele. Ele consiste na parede de defesa externa contra todos os agentes patógenos, como vento, frio, umidade e calor. Wei Qi também controla a abertura e fechamento dos poros da pele e, dessa forma, controla a transpiração. Ele aquece e nutre a pele, tendo como fontes o Sangue (xue) e o Qi e é controlado pelos Pulmões. “Wei Qi é um tipo de YangQi, resultado da digestão e absorção dos alimentos pelo Baço e Estômago, possui as funções de proteger a camada tegumentar e a musculatura contra agentes patógenos externos, ajustar a transpiração e nutrir a pele.” “O fracasso de Wei Qi em proteger o corpo contra doença resulta em estado mórbido caracterizado por transpiração espontânea e aversão ao vento. Ocorre pela deficiência do Qi superficial e conseguente diminuição da capacidade do corpo de resistir às doenças, que permite a invasão de fatores patógeno externos.”
As manifestações clínicas neste nível incluem febre com pouca ou nenhuma transpiração, dores de cabeça occipitais, tensão muscular do pescoço, sede, dor de gargante, tosse e uma sessação de frio. A Ventosaterapia utilizada para o tratamento das doenças nesse nível é altamente eficaz.

ESTAGNAÇÃO

Estagnação é o termo que refere a congestão ou ao acúmulo por falta de movimento de qualquer um dos elementos, isto é, dos Alimentos, dos Fluidos, do Qi ou do xue.

Estagnação dos AlimentosLittle girl eating jelly-glazed donut with sprinkles

Este padrão é, com frequência, observado em criança, quando os pais ficam ansiosos para dar-lhes alimentos suculentos, algumas vezes a força. Bebidas e alimentos frios ou hábitos alimentares irregulares também podem causar problemas de acúmulo, o que prejudica a função do Baço de transformação e transporte. As manifestações clínicas são inquietação, vômitos, produção de fleuma, diarreia, constipação, sensação de aperto no estômago e abdome doloroso.

– Estagnação de fluidos –1200px-Combinpedal

O Estômago é a origem dos Fluidos do Corpo. Os Fluidos são as substancias yin necessárias que auxiliam o processo de digestão propriamente dito. Quando este processo se encontra prejudicado pelos agentes patógenos Frio e Calor, ou por alimentos crus em excesso, as funções do Baço ficam prejudicadas. As manifestações clínicas da estagnação do fluidos são muito semelhantes às da estagnação dos alimentos, incluindo o edema de membros superiores e inferiores. Está síndromes é observada principalmente nas pessoas mais velhas e tem como causa a deficiência do Qi do Rim ou do Coração.

– Estagnação de Qi –

Esta é a incapacidade do Qi de fluir suavemente por todo o corpo. As principais manifestações clínicas são: “sensação de distensão, dor como por distensão que se move de um lugar para outro, massas abdominais que aparecem e desaparecem, depressão mental, irritabilidade, sentimento de tristeza, mudanças frequentes de humor, suspiros frequentes, pulso apertado ou resistente, língua levemente roxa”.

gettyimages-163941798– Estagnação por estase de sangue –

O sangue na MTC é denominado com Xue. Como foi dito anteriormente o xue contém Qi e o Qi move o xue e ambos são inseparáveis. Quando há acúmulo/estagnação de xue logo há também estagnação de Qi, com isso os nutrientes não serão levados para o corpo e a energia também não será transportada. A formação e a circulação de xue dependem do Qi, enquanto que a formação e distribuição de Qi estão relacionadas com Xue. Sendo assim pode ocorrer as manifestações da estagnação de Qi, síndromes do Coração, Baço, Rim e Pulmão tem grande influencia na condição de movimento do sangue. Quando há estagnação de xue a ventosaterapia é de grande ajuda para liberar a passagem e promover a melhor circulação eliminando as toxinas.

Espero que tenha tirado algumas dúvidas do que seja ventosa/vetosaterapia/cupping e falaremos sobre esse assunto ainda.

REFERÊNCIAS:
  1. Wang Bao Xiang, Dong Xue Mei 1992 Chinese-English bilingual glossary of Traditional Chinese Medicine. Jian, Shandong Province
  2. Maciocia G 1989 The foundations of Chinese medicine. Churchill Livingstone, Edinburgh
  3. Translation of Wei-Qi by Wang Bao Xiang, Dong Xue Mei 1992 Chinese-English bilingual glossary of raditional Chinese Medicine. Jian, Shandong Province
  4. Nielsen A 1995 Gua Sha, a traditional technique for modern practice. Churchill Livingstone, Edinburg
  5. An Updated Review of the Efficacy of Cupping Therapy. Huijuan Cao, Xun Li, Jianping Liu