Transtornos da garganta

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Existem tipos diferentes de inflamação na garganta, isso porque ela se divide em nasofaringe (mais perto da cavidade nasal), orofaringe, laringofaringe (hipofaringe) e a laringe. As amígdalas são anexas à mucosa da faringe, uma de cada lado, órgãos mais ou menos quadrangulares, de superfície irregular, e lembrando, pelo aspecto, duas amêndoas.

A garganta é o local onde se inicia o tecido imunológico, grupo de células responsável pela defesa do corpo, por isso é a principal zona de entrada de vírus e bactérias, as inflamações geralmente são uma das respostas do seu corpo das batalhas contra esses organismos.

  • Faringite
    • É a inflamação da faringe, região do corpo que liga o nariz, a boca, esôfago e a laringe. Os sintomas variam de acordo com a intensidade do quadro, mas, normalmente, apresenta coceira ou dor na garganta, febre e aumento dos gânglios (inchaço) do pescoço com dor no local.
  • Amigdalite
    • Nas inflamação nas amígdalas os sintomas são parecidos com os da faringite, porém são mais localizados. Pode aparecer uma dor intensa, dificuldade para engolir, febre, mal-estar e aumento dos gânglios do pescoço. Se as amígdalas estiverem inchadas e a região avermelhada com a presença de pus significa que a infecção foi causada por uma bactéria. Você pode senti-las apalpando a região acima do pescoço, conhecida como papo.
  • Laringite
    • Logo abaixo da faringe, onde se localiza as cordas vocais. Causada, principalmente por vírus. Seus sintomas são: voz rouca ou sem voz, tosse, febre, dor local e até dificuldade respiratória.

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Na Medicina Chinesa

Podem ser divididos em dois tipos: tipo shi e tipo xu

  1. O tipo shi é causado pela invasão do vento-calor exógeno patógeno na laringofaringe ou pela ascensão do calor acumulado nos canais do Pulmão e Estômago.
  2. O tipo xu é causado pela ascensão do fogo xu pela insuficiência de yin do Rim.

Diferenciação

  • Tipo Shi
    • Ascensão súbita e rápida, aversão ao frio, febre, cefaleia, dor e inchaço na garganta e congestão, sede, constipação, língua vermelha com saburra amarela e fina, pulso superficial e rápido.
  • Tipo Xu
    • Evolução lenta, sem febre ou com febre baixa, mal estar na garganta, secura na garganta que se agrava geralmente a noite, sensação de calor nas palmas das mãos e plantas dos pés, língua vermelha sem saburra, pulso filiforme e rápido.

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Tratamento

  • Tipo Shi
    • Recomenda-se acupuntura nos pontos selecionados dos canais do Estômago e do Intestino Grosso, com o método dispersante para eliminar o vento e o calor.
    • Exemplos de pontos – Shaoshang (P 11) (Sangria), Hegu (IG 4), Neiting (E 44), Tianrong (ID 17).
    • Puncionar o ponto Shaoshang e deixar sair alguma gota de sangue pode dispersar o calor do pulmão e aliviar o calor. Hegu pode dispersar os fatores exógenos patógenos do canal do pulmão. Neiting, é o ponto ying-manancial do canal do estômago, pode reduzir o calor dele. Tianrong, um ponto local, é usado para ativar a circulação de Qi e Xue no loca, aliviando assim a inflamação e a dor de garganta.
  • Tipo Xu
    • Recomenda-se acupuntura nos pontos do canal do rim selecionados, com o método tonificante para nutrir o yin e reduzir o fogo Xu.
    • Exemplos de pontos – Taixi (R 3), Yuji (P 10), Zhaohai (R 6), Lieque (P 7).
    • Taixi é o ponto ying-manancial do canal do Rim. Este canal circula ao longo da garganta superiormente. Yuji é o ponto ying-manancial do canal do pulmão. Se usa combinado os dois para nutrir o yin e reduzir o fogo. Zhaohai e Lieque são dois dos pontos de conexão (confluência). Estes pontos podem reduzir o fogo Xu e aliviar a inflamação e dor de garganta.

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Auriculoterapia

Pontos – Faringe e laringe, amígdalas, helix 1-3, puncionar a veia pequena da parte posterior da orelha para sangrar um pouco.

Usa-se de 2 a 3 pontos em cada tratamento com estímulo moderado. Deixar as agulha por uma hora. Fazer o tratamento diariamente, existe aurículo com agulha com esparadrapo onde o estímulo é dado diariamente.

Nota:
Os transtornos da garganta mencionados incluem tonsilite, faringite aguda e crônica pela medicina ocidental.

Pontos Específicos da Acupuntura

Vamos falar um pouco sobre as definições dos pontos de Acupuntura, não sobre suas aplicações, mais sim sobre sua essência, sobre as divisões dos pontos, sua importância, seu grupo, sua origem, são fatores que tornam um diagnóstico e escolha de pontos muito mais fácil.
Estes pontos têm denominações especificas devido a sua função especial.

Cinco Pontos Shu/Pontos de Transporte

Ao longo de cada um dos 12 canais regulares, nas extremidades superiores abaixo do cotovelo e nas extremidades inferiores abaixo do joelho, existem cinco pontos específicos que são chamados de jing-poço, ying-manancial, shu-riacho, jing-rio e he-mar. Estes nomes representam o fluxo de Qi nos canais como se fossem o fluir das águas. Na Europa eles são conhecidos como Pontos dos “Elementos” ou “Comando” e na França como “Ancestrais”. Os pontos jing-poço estão situados onde o Qi surge como “a água brota desde o profundo da terra”. Os pontos ying-manancial estão onde o Qi do canal é parecido com “uma corrente muito grande que não para de fluir”. Os pontos shu-riacho se encontram onde o Qi do canal é parecido a “uma corrente que pode irrigar e transportar”. Os pontos jing-rio estão onde o Qi do canal é parecido com uma corrente caudalosa que flui livremente e os pontos he-mar correspondem a desembocadura do rio no mar. Estas analogias podem nos oferecer uma ideia mais clara do significado dos pontos e também nos indicam o estado do Qi no canal em diferentes pontos específicos.

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As propriedades terapêuticas dos cinco pontos Shu são: os pontos jing-poço são usados para tratar os transtornos mentais, sensação de sufocamento no peito e rápida mudança de humor, os pontos ying-manancial para curar as enfermidades febris e liberação de calor, os pontos shu-riacho para o tratamento de síndromes bi (dor nas articulações, obstruções dolorosas) causados por vento e umidade patógenas, os pontos jing-rio para tratar asma, tosse e transtornos de garganta, e os pontos he-mar para tratar transtornos do intestino, estômago e outros órgãos fu (cada um dos seis órgãos fu tem um ponto he-mar específico nos três canais yang do pé, pontos conhecidos como he-mar inferiores).

Os clássicos chineses apresentam várias formas de aplicação para os pontos Transporte. Podem ser usados de acordo com as estações do ano, de acordo com os fatores patogênicos e os cinco elementos, para tratar órgãos Yin ou para inquietação mental e ansiedade, dito no Clássico das Dificuldades.

Jing-poço Inquietação mental, ansiedade, Plenitude abaixo do coração. Órgãos Yin No Inverno Expelir Vento
Ying-manancial Sensação de calor no corpo, dispersar calor Alteração da compleição Condições dos canais (junto com shu) Órgãos Yin (junto com shu), manancial dos canais Yin Na primavera Dispersar Calor
Shu-riacho Peso e dor articular, umidade e síndrome Bi Sintomas intermitentes Condições dos canais (junto com shu) Órgãos Yin (junto com shu).Shu dos canais Yin No verão Umidade ou Fleuma
Jing-rio Falta de ar, tosse, sensação de calor e frio, asma Acometimento da voz Tendões e ossos. Jing dos canais Yin No final do verão
He-mar Rebelião do Qi e diarreia, distúrbios digestivos Doenças do estômago Órgãos internos Yang Pele. Pontos He dos canais Yang No outono Expelir o Frio

Pontos Yuan – Fonte

Yuan significa fonte. Cada um dos doze canais regulares possuem um ponto Yuan nas extremidades onde se retém o Qi original. Os pontos Yuan dos canais Yin coincidem com os pontos shu-riacho dos cinco pontos Shu. Os pontos Yuan tem um grande significado para o diagnóstico, pois refletem o estado do Qi Original de seus órgãos, e tratamento das enfermidades dos canais e dos órgãos ZangFu, pois são usados para tonificar principalmente os órgãos Yin.

Pontos Luo – Conexão

Luo significa conexão e são chamados de Luo Mai. Cada um dos doze canais regulares também possuem uma ramificação colateral nas extremidades, comunicando em pares definidos pelos canais yin e yang para que estejam relacionados externa-internamente. No tronco existem os colaterais dos canais Ren e Du e o colateral maior do Baço “Grande Canal de Conexão” que se estende respectivamente pela parte posterior, anterior e lateral do corpo. Cada um dos colaterais possuem um ponto Luo, resultando em um total de 15 pontos, o “grande canal de conexão estômago” não possui ponto Luo. São usados para tratar as enfermidades dos canais que tem relação exterior e interior e as enfermidades das zonas por onde passam os canais. Cada um dos pontos de conexão de seus canais se ramifica por uma trajetória separada. Geralmente são usados em conjunto com os pontos yuan.

Pontos Xi – Fenda/Acúmulo

Xi significa fenda que está relacionado ao local onde estão localizados na fenda onda se acumula o Qi, é um local profundo onde converge o Qi dos canais. Cada um dos doze canais regulares tem um ponto Xi nas extremidades, cotovelos ou joelhos, e cada um dos quatro canais extraordinários (yinwei, yangwei, yinqiao, yangqiao) também possuem um ponto Xi, no total são 16 pontos. Os pontos Xi são usados para tratar a dor e enfermidades agudas dos órgãos Zang-Fu a que pertencem, enfermidades das zonas por onde passam os canais e para estancar sangramentos.

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Pontos Shu – Dorsais

Nesse caso o Shu significa transportar. Estes pontos estão situados na região dorsal onde o Qi dos órgãos Zang-Fu é transportado e dispersado. São encontrados nas costas e na região lombar, nas paravertebrais. Estes pontos se relacionam com os órgãos Zang-Fu. Quando qualquer dos órgãos Zang-Fu sofre alguma disfunção, aparecem pontos dolorosos à pressão ou outras reações anormais nas costas. Eles desempenham um papel muito importante no diagnóstico e no tratamento das enfermidades dos órgãos Zang-Fu correspondentes. Indispensáveis para tratar patologias crônicas pois tem o papel de conduzir o Qi para os órgãos internos e fazem parte do canal da Bexiga

Pontos Mu – Frontal/Alarme

Nesse sentido o Mu significa coletar, recrutar e são conhecidos também como pontos de alarme. Estes pontos estão no tórax e no abdome, com exceção de um ponto, onde se concentra o Qi dos órgãos Zang-Fu e estão perto dos órgãos Zang-Fu correspondentes. Quando os Zang-Fu se alteram, também aparecem pontos dolorosos à pressão ou espontaneamente e outras reações anormais nos pontos. Estes pontos tem um grande significado no diagnóstico e tratamento das enfermidades dos órgãos Zang-Fu correspondentes como para tonificar os órgãos internos ou expelir fatores patogênicos e usados principalmente para situações agudas.

Pontos Mestres – Hui

Hui significa acolher, juntar. São pontos de influencia que dominam os órgãos Zang e Fu respectivamente, o Qi e o Xue. Cada um dos oito pontos tem uma determinada função como ponto mestre, porém também possui outras atribuições.

Pontos dos Quatro Mares

São pontos diferenciados dos doze canais que nos clássicos são chamados de 12 canais de água, e por isso esses pontos são chamados de Pontos dos Quatro Mares. São eles: Mar dos alimentos, Mar do Qi, Mar do Sangue e Mar da Medula.

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Pontos Janela do Céu

São pontos descritos em situações diferentes nos clássicos chineses, onde foram descritos como 5 em um capitulo e mais tarde 5 em outro capitulo. Eles são usados para dominar o Qi rebelde que vem da cabeça ou que sobe para a cabeça, fatores emocionais e mentais devido a ascensão de yang.

Pontos Estrela do Céu

São 12 pontos usados em pares que, segundo descrito por Ma Dan Yang, eram os pontos mais importantes por tratar todas as patologias. Usados também para tratar fatores patogênicos.

Pontos do Espírito

Como descrito por Sun Si Miao, são 14 pontos usados para tratar patologias mentais e psicoses onde eram aconselhados usar um ponto por vez.

Pontos do Sistema dos olhos – Mu Xi

São pontos usados principalmente para as disfunções oculares e são intimamente ligados ao cérebro. Dividem-se em grupos de 3 canais Yang que rodeiam os olhos. Tem influencia sobre o hipotálamo, cérebro e glândula hipófise, tratando assim problemas neurológicos, mentais e cerebrais.

Pontos Comando

São 5 pontos que agem local e especificamente em determinada área. Importante lembrar que não estamos falando dos pontos Ying, Jing, Shu, He e Jing, porque em alguns lugares da Europa também são conhecidos como “Pontos Comando”.

Caso queira saber mais sobre pontos de acupuntura pode acessar nosso estudo sobre Distribuição e classificação dos Canais e Colaterais – Meridianos e Diferenciação das síndromes de acordo com a teoria dos meridianos.

Tosse – Tratamento com Acupuntura

A tosse, como mecanismo fisiológico, tem fundamental importância na remoção das secreções respiratórias, constituindo, assim, um dos mecanismos de defesa pulmonar. (Jacomelli, 2003)

A tosse é um mecanismo complexo de proteção da árvore brônquica, tendo um importante papel na manutenção da via aérea livre de secreção e de corpos estranhos, podendo ser iniciada de forma reflexa ou voluntária.  A pressão intrapulmonar elevada alcançada a partir de uma inspiração profunda, do fechamento da glote e da contração da musculatura expiratória proporciona altos fluxos na fase explosiva da tosse e este alto fluxo transfere energia cinética do ar para a secreção ou para o corpo estranho, removendo-os da parede brônquica e transportando-os até a faringe ou a boca, onde podem ser eliminados. Para que este mecanismo aconteça de forma satisfatória, é necessário haver atividade neuromuscular intacta e coordenação efetiva. (Freitas, 2010)

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Os primeiros estudos que tiveram como objetivo avaliar a força da tosse datam da década de 1950.
Em 1955, Ross et al. avaliaram as variações na pressão pleural e do fluxo de ar na boca durante a tosse, ao mesmo tempo em que realizavam radiografias de tórax seriados. Observaram elevações na pressão pleural até 140 mmHg e fluxo expirado de 6,5 L/s. Por meio da radiologia verificaram que o grau de estreitamento da traqueia estava relacionado com a pressão intrapleural, concluindo que o colapso dinâmico da via aérea era essencial no mecanismo de tosse.

Os tipos de tosse são:

  1. Tosse seca – de irritação e sem catarro
  2. Tosse produtiva – com catarro, limpando as vias
  3. Tosse purulenta – muco, amarelo esverdeado por infecção
  4. Tosse aguda e subaguda – aguda menos de 3 semanas e subaguda 3 a 8 semanas
  5. Tosse cronica – mais de 2 meses, quase sempre é causa de uma doença mais grave
  6. Tosse por medicamento – devido ao uso de algum medicamento

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Tosse na Medicina Chinesa

Os fatores patógenos podem ser exógenos ou endógenos. Os fatores exógenos são de vento-frio ou vento-calor que invadem o pulmão causando assim a disfunção de dispersão do pulmão. Os fatores endógenos são:  a) Secura do pulmão devido a xu de yin, causando assim a obstrução da função de descida; b) Xu de yang do baço, que conduz a acumulação de umidade e formação de fleumas.

Diferenciação

Invasão por fatores patógenos exógenos:

  1. Vento-frio: Aversão ao frio, febre, cefaleia, obstrução nasal, tosse sufocante, saburra branca e fina, pulso superficial.
  2. Vento-calor: Febre sem calafrios, sede, tosse com catarro purulento e espesso, saburra amarela, pulso superficial e rápido.

Invasão de fatores endógenos:

  1. Secura do pulmão devido ao xu de yin: Tosse seca, sem ou com pouco catarro, secura ou dor na garganta. É possível que apareça catarro com sangue ou hemoptise, febre moderada, rubor malar. Língua vermelha com saburra delgada, pulso rápido e fraco.
  2. Xu de yang do baço:  Tosse com bastante catarro, que é mais grave no inverno, anorexia, depressão, saburra branca, grossa e pegajosa, pulso profundo, lento e escorregadio.

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Tratamento

Invasão dos fatores patógenos exógenos

Os pontos selecionados são principalmente nos canais taiyin (pulmão) e yangming (intestino grosso) da mão servem para ativar a função de dispersão do pulmão e aliviar os sintomas externos. No tipo vento-frio, a acupuntura pode ser combinada com a moxabustão, enquanto que o tipo de vento-calor se aplica somente acupuntura.

Exemplo de pontos: Lieque (P7), Hegu (IG4), Feishu (B13), Chize (P5).

Lieque e Hegu combinados com os pontos yuan (fonte) e luo (conexão), são usados para eliminar o vento e aliviar os sintomas externos. Feishu ativa a função de dispersão do pulmão. Chize limpa o pulmão e alivia a tosse.

Invasão dos fatores endógenos

1 – Secura do pulmão devido ao xu de yin

Os pontos Shu e Mu do pulmão são referencias como pontos principais para tonificar yin e ativar a função de descida do pulmão com inserção da agulha superficialmente. Não se aplica moxabustão.

Exemplo de pontos: Feishu (B13), Zhongfu (P1), Lieque (P7) e Zhaohai (R6).
Pontos secundários para Hemoptise: Kongzui (P6), Geshu (B17).

Feishu e Zhongfu combinados com os pontos Shu e Mu são usados para regular as vias respiratórias. Lieque e Zhaohai, um par dos oito pontos de confluência onde um está em cima e outro em baixo, são usados para limpar a garganta tonificando o yin e ativando a funções de descida do pulmão. Kongzui, o ponto xi do pulmão e Geshu, ponto de influência que domina o sangue, são usados para obter um efeito hemostático.

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2 – Xu de yang do baço

Os pontos Shu e Mu do estômago são conhecidos como pontos principais para fortalecer o baço e eliminar o catarro com o método dispersante, em combinação com a moxabustão.

Exemplo de pontos: Pishu (B20), Zhongwan (Ren12), Zusanli (E36), Feishu (B13), Gaohuangshu (B43) e Fenglong (E40).

Pishu, Zhongwan e Zusanli fortalecem o baço e o estômago, eliminam a umidade e dispersão a fleuma.
A aplicação de moxabustão nos pontos Feishu e Gaohuangshu ativa e aquece o qi do pulmão.

NOTAS
  1. Se a tosse for acompanhada de febre e asma, podemos usar o mesmo tratamento para resfriado.
  2. O tipo de tosse mencionada aqui é um sintoma mais frequente no resfriado comum, bronquite aguda ou crônica e pneumonia.
  3. Método de ventosa – Pontos principais: Fengmen (B12) e Feishu (B13).
  4. Método de agulha dérmica: Sangria com a agulha na região superior das costas por onde passam os canais Du e da Bexiga até que a pela fique vermelha e ligeiramente sangrando.
  5. Auriculoterapia – Pontos principais: Pulmão, Asma. Uma vez por dia, deixar as agulha de 30 à 60 minutos. De 5-10 sessões.

História das ventosas

8 revisões

Olá pessoal. Estou aqui novamente e mais uma vez com o tema das ventosas.
A ventosaterapia é um tratamento que usa-se o vácuo em copos, ou objetos com essa forma, para realizar a sucção da pele, promovendo vários benefícios que vai muito além do que os observados na pela (parte externa do corpo).

Dessa vez vamos passear um pouco na história dessa terapia, que data muito tempo atrás e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros.
Caso queira saber sobre o benefícios no tratamento da ventosa clique aqui.

Como já é de costume aqui no O Acupunturista, eu escolhi autores que falam muito bem sobre isso e vou por vezes copia-los ou parafrasear suas citações já que são nomes de grande importância na área, são eles Ilkay Zihni Chirali e Julian Scott.

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Ventosas de vidro

Os primeiros métodos de aplicação de ventosas

A ventosa terapia é utilizada há centenas de anos na China.
Inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio.

Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han, em 1973. Alguns métodos terapêuticos de aplicação de ventosas também foram encontrados em um livro por Zouhou Fang, ao redor de 28 aD. O tratamento de alguns casos de tuberculose foram registrados em Weitaimiyao, em 755 aD. Trezentos anos depois, outro clássico antigo, Susen Liang Fang, registrou a cura de uma tosse crônica e o restabelecimento da saúde após mordeduras de cobra venenosa por meio da ventosaterapia (Che Bin, Dr.He Chong, comunicações pessoais, 1995).

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Ventosas de chifre

Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiencia acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Atualmente pode ser utilizadas para o tratamento das síndromes “Bi”, asma, resfriado comum, tosse crônica, problemas de indigestão e de algumas patologias da pele. Durante a dinastia Jin, Ge Hong (281-341 aD), em seu livro “A Handbook os prescriptions for emergencies“, mencionou pela primeira vez o suso de chifres de animais como meios de drenagem de pústulas. Zhao Xueming, da dinastia Qing (1644-1911), em seu Suplemento ao “Outline of herbal pharmacopoeia“, escreveu um capítulo à parte sobre o assunto sob o título “Fire-Jar Qi” (O Qi do Jarro de Fogo). A ventosa natural feita de chifre foi substituída por ventosas feitas com bambu, cerâmica ou vidro.

A um ditado na China “Com Acupuntura e ventosa, mais da metade das doenças é curada”. Zhao Xue Ming, um médico que viveu a mais de 200 anos, compilou um livro intitulado Ben Cao Gang Mu She Yi, no qual ele descreve detalhadamente a história e a origem dos diferentes tipos de aplicação de ventosas, suas formas, funções e aplicações.

Nos anos 50, a eficacia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica.

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Ventosas de plástico/acrílico

No Ocidente

Os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o suso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Naquela época havia duas escolas com filosofias distintas em relação a doença do corpo ou fazer sangrar com o intuito de drena-la.
Galeno frequentemente censurava o renomado médico Erasistraus, que clinicava em Alexandria, no Egito, no terceiro século a.C., por não fazer o uso de ventosas. Erasistraus usava o jejum para quase todo tipo de cura. Entre os egípcios e as várias nações que habitavam aquele país, parece que a aplicação de ventosas tem sido considerada uma forma de tratamento para quase todo tipo de doença te também um meio importante para preservar a saúde.

Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.”

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Ventosas de borracha

Em seu livro “Galen on blood letting”, Peter Brain indica que, para Galeno (129-200 aD), a doença e a saúde eram definidas em termos de sua natureza. “A doença é um estado artificial do corpo”, declara Galeno, “que prejudica uma função. A saúde é um estado que está em harmonia com a natureza e que determina as funções”. Podemos ver a semelhança com a teoria da MTC, onde a doença ocorre pelo desequilíbrio do yin e yang.

Galeno continua demonstrando estratégias de tratamento quase idênticas aos citados no antigo tratado chinês abordado em “o livro do imperador amarelo”, na relação paciente, enfermidade e natureza, informa também que essa também era a opinião de Hipócrates.

A milhares de anos, todos os autores médicos distinguem duas formas de aplicação de ventosas: Seca e Molhada. Na aplicação Seca, não há remoção de sangue do corpo. Remove-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele, que fica intumescida (inchada). Na técnica Molhada, o processo começa com a aplicação Seca e, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar sangue.

O cirurgião Charles Kennedy escreveu em 1826 “A arte da aplicação de ventosas tem sido tão bem conhecida e seus benefícios há tanto tempo percebidos, que é absolutamente desnecessário trazer testemunhos a favor do que tem recebido aprovação não somente da comunidade moderna, mas também a ratificação dos mais antigo povos da história humana”.

Entre os egípcios, que introduziram a sangria na Grécia, a aplicação de ventosas era o tratamento habitual para quase toda enfermidade e, sem dúvida, eles herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, de quem obtiveram outros conhecimentos.

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Ventosas elétricas

Samuel Bayfield ilustra cinco diferentes tamanhos de equipamento de ventosa em seu livro. Ele faz a seguinte avaliação da história das ventosas na Europa:
“Essa antiga arte foi levada dos egípcios aos gregos por Cecrops, que emigrou com seus companheiros do Egito, estabeleceu uma colônia na Grécia e construiu a cidade de Atenas no ano do Mundo de 2448; apesar de haver indícios de que essa prática já era conhecida entre antigas civilizações de outros países e até em algumas tribos de selvagens incultos, a origem real desse método ainda é obscura e não há como comprovar as primeiras práticas, pois não há registro delas. Verificou-se que os nativos da América, hotentotes, hindus, habitantes das Ilhas do Mar do Sul e da Nova Holanda, japoneses e chineses praticavam há muito tempo a operação de aplicar ventosas”. “Observando outra parte dos trabalhos de Hipócrates, parece que os mais antigos médicos gregos faziam uso de ventosas grandes, empregadas para a redução de deslocamentos de vértebras, pois supunham que os ossos, quando protuberantes para dentro, poderiam ser colocados de volta a sua posição normal pela sucção com ventosas”. De Hipócrates, que morreu com a idade de 101 anos em Larissa, na Tessália, no ano 361 a.C, essa arte foi passada por sucessivos médicos, os quais valorizaram ou negligenciaram o método!”
“No ano 360, floresceu Oribasius, professor de Medicina de Alexandria e médico de Júlio, o apóstata. Ele tece muitos comentários sobre sangrias localizadas e ventosas. No século quinto, com o final da intervenção dos godos, vândalos e outros bárbaros destruíram todos os centros de erudição e aniquilaram as artes , não só as científicas como todas as artes de forma geral; os conhecimentos de medicina também sucumbiram com a ruína generalizada; mas no século nove, depois que os sarracenos expulsaram os godos, encontramos esse método nas mãos dos árabes na Espanha, os quais fizeram uso da técnica por trezentos ou quatrocentos anos. No ´seculo seguinte, encontramos Rhazes empregando amplamente essa técnica associada com a escarificação, por meio da qual ele curou o Rei Hamet de um ataque de apoplexia. Com a ciência árabe começando a se estender para a Itália – para os espanhóis eles estabeleceram correspondência médica com os médicos italianos – e os gregos emigrando para a Itália no século 15, a Itália se tornou o campo favorito da ciência médica”. “Em 1683, Bellini, um eminente médico italiano, favoreceu o procedimento da Técnica Seca de Ventosa”.

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Ventosas de bambu

Declínio do uso de Ventosas

A utilização das ventosas desapareceu na América e na Europa no início do século 20, mas seu desaparecimento foi gradual e quase despercebido. Alguns dos dispositivos mais sofisticados para aplicação de ventosas foram inventados num período em que os médicos, em sua maioria, já consideravam as ventosas ineficazes. Um dos últimos defensores da sangria na América, Heinrich Stern, escrevendo em 1915, também defendeu o uso de uma bomba de sucção elétrica para retirar sangue. Ele declarou que as equimoses poderiam se prolongar com o uso de um motor elétrico por 15, 30 minutos, ou mais Além de alguns dispositivos sofisticados, as ventosas simples, especialmente a técnica seca das aplicações, continuaram sendo razoavelmente utilizadas até o início da década de 40. Embora as aplicações de ventosas não fossem mais indicadas pelos médicos, a maioria das companhias de material cirúrgico fazia propaganda de ventosas, escarificadores e conjunto de ferramentas para o tratamento com ventosa durante a década de 20 e até nos anos 30. Depois desse período, nunca mais foi usada por um médico, sendo relegada aos serviços dos barbeiros. Era comum o anúncio na vitrine de uma barbearia: “Ventosas para resfriados”.
A descoberta dos vários antibióticos e das drogas redutoras da febre também contribuiu para o declínio da ventosaterapia.

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Novo interesse pela ventosaterapia

Hoje em dia, à medida que aumenta o número de pessoas que buscam as terapias alternativas para tratar seus problemas de saúde, as terapias como aromaterapia, reflexologia, quiroprática, osteopatia, Tui-Na, massagem e Acupuntura se tornaram populares. A educação e a conscientização das pessoas também mudaram, passando a ver aqueles remédios “charlatanescos” como tratamentos alternativos mais respeitáveis. tanto na América como na Europa, a instrução do terapeuta alternativo tem outro propósito. Infelizmente, a maioria das escolas de Acupuntura não inclui em seu currículo a carga horária adequada para o estudo da ventosaterapia.

Tipos de ventosas

No decorrer desse texto fui postando fotos de diferentes formas de ventosas, entre elas: ventosas eletromagnéticas, portáteis, ventosas com parafusos, com válvulas, com tampos de borracha, de bambu e de vidro.