História das ventosas

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Olá pessoal. Estou aqui novamente e mais uma vez com o tema das ventosas.
A ventosaterapia é um tratamento que usa-se o vácuo em copos, ou objetos com essa forma, para realizar a sucção da pele, promovendo vários benefícios que vai muito além do que os observados na pela (parte externa do corpo).

Dessa vez vamos passear um pouco na história dessa terapia, que data muito tempo atrás e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros.
Caso queira saber sobre o benefícios no tratamento da ventosa clique aqui.

Como já é de costume aqui no O Acupunturista, eu escolhi autores que falam muito bem sobre isso e vou por vezes copia-los ou parafrasear suas citações já que são nomes de grande importância na área, são eles Ilkay Zihni Chirali e Julian Scott.

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Ventosas de vidro

Os primeiros métodos de aplicação de ventosas

A ventosa terapia é utilizada há centenas de anos na China.
Inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio.

Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han, em 1973. Alguns métodos terapêuticos de aplicação de ventosas também foram encontrados em um livro por Zouhou Fang, ao redor de 28 aD. O tratamento de alguns casos de tuberculose foram registrados em Weitaimiyao, em 755 aD. Trezentos anos depois, outro clássico antigo, Susen Liang Fang, registrou a cura de uma tosse crônica e o restabelecimento da saúde após mordeduras de cobra venenosa por meio da ventosaterapia (Che Bin, Dr.He Chong, comunicações pessoais, 1995).

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Ventosas de chifre

Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiencia acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Atualmente pode ser utilizadas para o tratamento das síndromes “Bi”, asma, resfriado comum, tosse crônica, problemas de indigestão e de algumas patologias da pele. Durante a dinastia Jin, Ge Hong (281-341 aD), em seu livro “A Handbook os prescriptions for emergencies“, mencionou pela primeira vez o suso de chifres de animais como meios de drenagem de pústulas. Zhao Xueming, da dinastia Qing (1644-1911), em seu Suplemento ao “Outline of herbal pharmacopoeia“, escreveu um capítulo à parte sobre o assunto sob o título “Fire-Jar Qi” (O Qi do Jarro de Fogo). A ventosa natural feita de chifre foi substituída por ventosas feitas com bambu, cerâmica ou vidro.

A um ditado na China “Com Acupuntura e ventosa, mais da metade das doenças é curada”. Zhao Xue Ming, um médico que viveu a mais de 200 anos, compilou um livro intitulado Ben Cao Gang Mu She Yi, no qual ele descreve detalhadamente a história e a origem dos diferentes tipos de aplicação de ventosas, suas formas, funções e aplicações.

Nos anos 50, a eficacia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica.

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Ventosas de plástico/acrílico

No Ocidente

Os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o suso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Naquela época havia duas escolas com filosofias distintas em relação a doença do corpo ou fazer sangrar com o intuito de drena-la.
Galeno frequentemente censurava o renomado médico Erasistraus, que clinicava em Alexandria, no Egito, no terceiro século a.C., por não fazer o uso de ventosas. Erasistraus usava o jejum para quase todo tipo de cura. Entre os egípcios e as várias nações que habitavam aquele país, parece que a aplicação de ventosas tem sido considerada uma forma de tratamento para quase todo tipo de doença te também um meio importante para preservar a saúde.

Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.”

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Ventosas de borracha

Em seu livro “Galen on blood letting”, Peter Brain indica que, para Galeno (129-200 aD), a doença e a saúde eram definidas em termos de sua natureza. “A doença é um estado artificial do corpo”, declara Galeno, “que prejudica uma função. A saúde é um estado que está em harmonia com a natureza e que determina as funções”. Podemos ver a semelhança com a teoria da MTC, onde a doença ocorre pelo desequilíbrio do yin e yang.

Galeno continua demonstrando estratégias de tratamento quase idênticas aos citados no antigo tratado chinês abordado em “o livro do imperador amarelo”, na relação paciente, enfermidade e natureza, informa também que essa também era a opinião de Hipócrates.

A milhares de anos, todos os autores médicos distinguem duas formas de aplicação de ventosas: Seca e Molhada. Na aplicação Seca, não há remoção de sangue do corpo. Remove-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele, que fica intumescida (inchada). Na técnica Molhada, o processo começa com a aplicação Seca e, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar sangue.

O cirurgião Charles Kennedy escreveu em 1826 “A arte da aplicação de ventosas tem sido tão bem conhecida e seus benefícios há tanto tempo percebidos, que é absolutamente desnecessário trazer testemunhos a favor do que tem recebido aprovação não somente da comunidade moderna, mas também a ratificação dos mais antigo povos da história humana”.

Entre os egípcios, que introduziram a sangria na Grécia, a aplicação de ventosas era o tratamento habitual para quase toda enfermidade e, sem dúvida, eles herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, de quem obtiveram outros conhecimentos.

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Ventosas elétricas

Samuel Bayfield ilustra cinco diferentes tamanhos de equipamento de ventosa em seu livro. Ele faz a seguinte avaliação da história das ventosas na Europa:
“Essa antiga arte foi levada dos egípcios aos gregos por Cecrops, que emigrou com seus companheiros do Egito, estabeleceu uma colônia na Grécia e construiu a cidade de Atenas no ano do Mundo de 2448; apesar de haver indícios de que essa prática já era conhecida entre antigas civilizações de outros países e até em algumas tribos de selvagens incultos, a origem real desse método ainda é obscura e não há como comprovar as primeiras práticas, pois não há registro delas. Verificou-se que os nativos da América, hotentotes, hindus, habitantes das Ilhas do Mar do Sul e da Nova Holanda, japoneses e chineses praticavam há muito tempo a operação de aplicar ventosas”. “Observando outra parte dos trabalhos de Hipócrates, parece que os mais antigos médicos gregos faziam uso de ventosas grandes, empregadas para a redução de deslocamentos de vértebras, pois supunham que os ossos, quando protuberantes para dentro, poderiam ser colocados de volta a sua posição normal pela sucção com ventosas”. De Hipócrates, que morreu com a idade de 101 anos em Larissa, na Tessália, no ano 361 a.C, essa arte foi passada por sucessivos médicos, os quais valorizaram ou negligenciaram o método!”
“No ano 360, floresceu Oribasius, professor de Medicina de Alexandria e médico de Júlio, o apóstata. Ele tece muitos comentários sobre sangrias localizadas e ventosas. No século quinto, com o final da intervenção dos godos, vândalos e outros bárbaros destruíram todos os centros de erudição e aniquilaram as artes , não só as científicas como todas as artes de forma geral; os conhecimentos de medicina também sucumbiram com a ruína generalizada; mas no século nove, depois que os sarracenos expulsaram os godos, encontramos esse método nas mãos dos árabes na Espanha, os quais fizeram uso da técnica por trezentos ou quatrocentos anos. No ´seculo seguinte, encontramos Rhazes empregando amplamente essa técnica associada com a escarificação, por meio da qual ele curou o Rei Hamet de um ataque de apoplexia. Com a ciência árabe começando a se estender para a Itália – para os espanhóis eles estabeleceram correspondência médica com os médicos italianos – e os gregos emigrando para a Itália no século 15, a Itália se tornou o campo favorito da ciência médica”. “Em 1683, Bellini, um eminente médico italiano, favoreceu o procedimento da Técnica Seca de Ventosa”.

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Ventosas de bambu

Declínio do uso de Ventosas

A utilização das ventosas desapareceu na América e na Europa no início do século 20, mas seu desaparecimento foi gradual e quase despercebido. Alguns dos dispositivos mais sofisticados para aplicação de ventosas foram inventados num período em que os médicos, em sua maioria, já consideravam as ventosas ineficazes. Um dos últimos defensores da sangria na América, Heinrich Stern, escrevendo em 1915, também defendeu o uso de uma bomba de sucção elétrica para retirar sangue. Ele declarou que as equimoses poderiam se prolongar com o uso de um motor elétrico por 15, 30 minutos, ou mais Além de alguns dispositivos sofisticados, as ventosas simples, especialmente a técnica seca das aplicações, continuaram sendo razoavelmente utilizadas até o início da década de 40. Embora as aplicações de ventosas não fossem mais indicadas pelos médicos, a maioria das companhias de material cirúrgico fazia propaganda de ventosas, escarificadores e conjunto de ferramentas para o tratamento com ventosa durante a década de 20 e até nos anos 30. Depois desse período, nunca mais foi usada por um médico, sendo relegada aos serviços dos barbeiros. Era comum o anúncio na vitrine de uma barbearia: “Ventosas para resfriados”.
A descoberta dos vários antibióticos e das drogas redutoras da febre também contribuiu para o declínio da ventosaterapia.

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Novo interesse pela ventosaterapia

Hoje em dia, à medida que aumenta o número de pessoas que buscam as terapias alternativas para tratar seus problemas de saúde, as terapias como aromaterapia, reflexologia, quiroprática, osteopatia, Tui-Na, massagem e Acupuntura se tornaram populares. A educação e a conscientização das pessoas também mudaram, passando a ver aqueles remédios “charlatanescos” como tratamentos alternativos mais respeitáveis. tanto na América como na Europa, a instrução do terapeuta alternativo tem outro propósito. Infelizmente, a maioria das escolas de Acupuntura não inclui em seu currículo a carga horária adequada para o estudo da ventosaterapia.

Tipos de ventosas

No decorrer desse texto fui postando fotos de diferentes formas de ventosas, entre elas: ventosas eletromagnéticas, portáteis, ventosas com parafusos, com válvulas, com tampos de borracha, de bambu e de vidro.

Diarreia – Tratamento com Acupuntura

Diarreia aguda é a passagem de quantidade acima do normal de fezes amolecidas associada ao aumento do número de evacuações que durem menos de 14 dias (Organização Mundial de Gastroenterologia). Pode ser interpretada como um aumento na quantidade de água e eletrólitos nas fezes, levando à produção frequente de fezes malformadas. É esse comprometimento no equilíbrio entre reabsorção e secreção pela mucosa intestinal que leva à liquidificação das fezes. Dentre estas possíveis etiologias, especialmente em nosso meio, as causas infecciosas devem sempre vir à mente e constituir uma das primeiras opções na investigação diagnóstica. As infecções intestinais associadas a quadros diarreicos são a segunda causa de mortes de origem infecciosa em todo o mundo, com prevalência estimada de 3 a 5 bilhões de casos/ano. (Moraes, 2004)

Segundo a mais recente edição do livro-texto Sleisenger and Fordtran’s gastrointestinal and liver disease, o diagnóstico diferencial nos casos de diarreia aguda deve ter como enfoque cinco fatores principais: infecções, alergias alimentares, intoxicação alimentar, uso de medicações e apresentação inicial de diarreia crônica. (Moraes, 2004)

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Fatores de risco para diarreias

As gastroenterites apresentam grande gama de etiologias possíveis. No contexto das gastroenterites infecciosas, determinados comportamentos e/ou circunstâncias às quais os pacientes se expõem, bem como algumas comorbidades que apresentam, são considerados fatores de risco para a doença. São eles: viagem recente (especialmente para países em desenvolvimento — áreas tropicais); alimentos ou circunstâncias alimentares incomuns (frutos do mar, especialmente crus; refeições em restaurantes ou lanchonetes); homossexualidade, atividade sexual remunerada, uso de drogas intravenosas (pessoas em risco de infecção por HIV e de desenvolvimento de SIDA); uso recente de antibióticos. Convém ressaltar também que diversos dados epidemiológicos contribuem para o raciocínio diagnóstico. Tendo em vista a epidemiologia de cada caso, é possível identificar maior suspeição sobre determinados agentes etiológicos. As associações mais clássicas entre veículo de contaminação e patógeno estão dispostas no Quadro. (Moraes, 2004)

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Abordagem diagnóstica

Na abordagem do paciente com quadro de diarreia aguda, a anamnese e o exame físico são fundamentais. Não só pela contribuição para a suspeição quanto a determinados agentes etiológicos, mas também na orientação das próximas medidas diagnósticas a serem instituídas. A solicitação de exames laboratoriais não é custo-efetiva; assim, a maioria dos pacientes não necessita dos mesmos. A presença de pelo menos um dos “sinais de alarme” expostos a seguir justifica a solicitação de exames laboratoriais:

  1. Desidratação grave e/ou repercussões sistêmicas (taquicardia, hipotensão ortostática, redução da diurese, letargia).
  2. Idade maior ou igual a 70 anos.
  3. Diarreia por mais de três ou sete dias (apesar de adequadamente tratada).
  4. Sangue/muco nas fezes.
  5. Imunossupressão (por droga/HIV).
  6. Dor abdominal em paciente com mais de 50 anos.
  7. Temperatura axilar maior ou igual a 38,5°C.
  8. Mais de seis a 10 evacuações/dia.
  9. Diarreia do viajante (se cursar com disenteria).
  10. Diarreias nosocomiais e/ou institucionais.

Abordagem terapêutica

Na abordagem terapêutica, a principal medida a ser instituída é a terapia de reidratação. Independentemente de sua etiologia e forma de apresentação clínica, as medidas de suporte são fundamentais para o manejo adequado da doença. De acordo com orientação da OMS, a terapia de reidratação deve ser por via oral, sempre que possível. (Moraes, 2004)

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NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Fatores que causam a diarreia aguda

  1. Transtornos dos órgãos digestivos devido a empanturrar-se de alimentos e a invasão de frio-umidade exógenos.
  2. Invasão de umidade-calor do verão e outono.

A diarreia crônica ocorre devido a xu de yang do Baço e Rim, que afeta a função de transporte e transformação do Baço.

Diferenciação

Diarreia aguda

  1. Frio-umidade – Diarreia aquosa com dor abdominal e borborigmos, calafrios, que são aliviados com o calor moderado, sem sede, língua pálida, saburra branca, pulso profundo e lento.
  2. Umidade-calor – Diarreia com fezes amarelas, quentes e de odor fétido, acompanhada de dor abdominal, sensação de ardor anal, urina escassa e amarela intensa, língua com saburra amarela e pegajosa, pulso rápido e escorregadio. Estes sintomas são as vezes acompanhados de febre e sede.

Diarreia crônica

  1. Xu de yang do Baço – Fezes moles com resíduos de alimentos mal digeridos, distensão epigástrica e abdominal, anorexia, lassitude, língua com saburra pálida e fina, pulso filiforme e fraco.
  2. Xu de yang do Rim – Leve dor abdominal na madrugada, borborigmos e diarreia uma vez ou várias vezes ao dia, frio abdominal e nas extremidades inferiores, saburra pálida e pulso profundo e fraco.

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Tratamento

Os pontos shu e mu do Intestino Grosso são pontos principais para o tratamento. Para o tipo frio-umidade, é necessário aplicar a acupuntura com método de tonificação e dispersão simultaneamente e combinado com moxabustão (ou com moxabustão indireta com gengibre), para o tipo umidade-calor, usa-se acupuntura com o método dispersante. Em casos crônicos, acupuntura com o método tonificante combinado a moxabustão. A moxabustão pode ser o tratamento principal nos casos de xu de yang do Rim.

Exemplo de pontos

Tianshu (E 36), Dachangshu (B 25), Zusanli (E 36).
Frio-umidade – Zhongwan (Ren 12), Qihai (Ren 6).
Umidade-calor – Neiting (E 44), Yinlingquan (BP 9), Hegu (IG 4).
Xu de yang do Baço – Pishu (B 20), Zhangmen (F 13), Taibai (BP 3), Zhongwan (Ren 12).
Xu de yang do Rim – Shenshu (B 23), Mingmen (Du 4), Taixi (R 3), Guanyuan (Ren 4), Baihui (du 20).

Tianshu e Dachangshu, os pontos Mu e Shu do Intestino Grosso, são muito efetivos para regular a função de transporte do Intestino Grosso e controlar a diarreia. Zusanli é usado para fortalecer a função de transporte do Baço e Estomago. A aplicação de acupuntura e moxabustão no Zhongwan e Qihai servem para esquentar o Baço e o Estomago e dispersar o frio. Neiting, Yinlingquan e Hegu com o método dispersante podem eliminar a umidade-calor do Intestino Grosso. A aplicação de acupuntura e moxabustão em Pishu, Zhangmen e Taibai, nos pontos Shu, Mu e Yuan do Baço, junto com Zhongwan, o ponto Mu do Estomago, ativam o yang do baço, promovem a função de transporte e conter a diarreia. Shenshu, Mingmen e Taixi podem esquentar e ativar o yang do Rim. A aplicação de moxabustão no Baihui pode elevar o qi que desceu do Baço, fortalecer o qi e conter a diarreia.

Nota – A diarreia na Medicina Tradicional Chinesa inclui diarreia por dispepsia, por enterite aguda e crônica, por enfermidades parasitarias intestinal, por enfermidade do pâncreas, do fígado e das vias biliares, por transtornos endócrinos, por transtornos do metabolismo e diarreia neurogênica. É um sinal e sintoma e sua causa deve ser tratada.

Métodos de Diagnóstico: Língua e inspeção ocular (parte 1/3)

Na medicina tradicional chinesa há quatro métodos básicos de diagnóstico: inspeção ocular, auscultação e olfação, interrogação e palpação. A história clinica e sinais e sintomas clínicos alcançados mediante os quatro métodos diagnóstico são a base da diferenciação das síndromes.

Cada um dos quatro métodos de diagnóstico são importantes no diagnóstico da enfermidade. Quando combinados os quatro métodos se pode obter um conhecimento completo e sistemático da situação da enfermidade e fazer um diagnóstico correto.

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Inspeção Ocular e da Língua

A inspeção ocular é o método de diagnóstico do paciente por meio dos olhos. É feita a observação da expressão, a cor, a aparência e a língua do paciente.

Observação da expressão

A expressão é uma manifestação externa da atividade vital do corpo humano. Geralmente, se o paciente está em bom estado de animo, com gesto normal, olhos vivos e reação ágil, e coopera com o Acupunturista no exame, sua enfermidade é rápida e superficial. Se um paciente está deprimido, indiferente, tem olhos apagados, de demorada reação e inclui distúrbios mentais, e não coopera no exame, sua enfermidade é grave e profunda.

Observação do cor

A cor da pele varia segundo a pessoa (origem), e inclui a variação dessa mesma pessoa. Porém, a pele brilhante com cor natural se considera normal. Por exemplo, na China uma face normal é de uma cor amarela rosada e brilhante. As enfermidades afetam o brilho e a cor da face de diversos modos. Uma face vermelha e brilhante indica que a enfermidade é do tipo quente, uma face pálida sem brilho indica que a enfermidade é do tipo frio ou deficiência de sangue.

Levar em conta também a respeito as cores das excreções, tais como mucosidade, expectoração, borras, urina e leucorreia, o claro e branco indica xu (deficiência) e frio, o escuro e amarelo indica shi (excesso) e calor.
É conveniente observar a cor da face sob luz natural, porque a cor verdadeira não se nota sob a luz artificial, pior ainda sob lâmpadas de cores diferentes.

Observação da aparência

Se observa o paciente para ver se seus movimentos são normais ao sentar, encostar, levantar, falar, se houver anormalidade nos movimentos do tronco e nos membros, e se o paciente é magro ou obeso. Se o paciente for obeso, em geral existe xu (deficiência) de qi e muita fleuma-umidade, se o paciente for magro, hiperatividade de fogo do tipo xu (deficiência). A paralisia dos membros, em geral indica insuficiência de qi e xue e obstrução dos canais (meridianos). As convulsões, os opistótono, os desvios oculares e da boca e as contrações nervosas dos músculos se devem geralmente a xu (deficiência) de yin e xue (sangue) e a mal nutrição dos tendões e vasos. Estes sintomas podem ser também provocados pela invasão de vento patógeno nos canais e colaterais.

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Observação da língua

A observação da língua é da língua propriamente dita e sua saburra, é um importante procedimento no diagnóstico. A língua tem uma estreita relação com os órgãos zang-fu, os meridianos e colaterais, qi, xue e os líquidos corporais. Qualquer desordem se reflete na língua. Podemos diagnosticar  pela observação da cor, forma e condição de secura ou umidade tanto da língua como também a sua saburra e sua mobilidade.
Uma língua normal tem seu próprio tamanho, uma cor pálida rosada, movimentos livres e uma capa fina de saburra branca sobre a superfície que não é nem muito seca nem muito úmida.

Existe uma série de manifestações da língua anormal, com sua mudança na saburra e significados clínicos diferentes.

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Características da Língua

  • Língua pálida: Uma língua um pouco menos vermelha que o normal indicia síndromes de xu (deficiência) ou frio causados pela debilidade de yang e insuficiência de qi e xue ou pela invasão do frio patógeno exógeno.
  • Língua vermelha: Uma língua vermelha e brilhante indica síndromes de calor do tipo shi devido a invasão do calor patógeno e enfermidades do tipo xu causados pelo consumo interior de fluido yin.
  • Língua vermelha escura: Uma língua dessa cor indica uma etapa grade de uma enfermidade febril em que o calor patógeno já está penetrado do exterior para o interior do corpo. Observa-se também nesses pacientes que sofrem enfermidades crônicas quando o fluido yin já foi consumido e o fogo endógeno é excessivo.
  • Língua de cor púrpura: Ou com pontos de cor purpura, indica o estancamento de qi e xue, Indica também a preponderância do frio endógeno devido a deficiência de yang.
  • Língua obesa (glossite): Uma língua maior e gorda, maior que a normal, macia e pálida e as vezes com marcada pelos dentes na borda da língua, indica deficiência de qi e yang e retenção de fleuma umidade no interior. Uma língua obesa de cor vermelha escura indica a preponderância de calor patógeno no interior e hiperatividade de fogo no coração.
  • Língua rachada (geográfica): Uma língua com estrias ou fissuras irregulares indica consumo de líquido corporal por calor excessivo, perdendo as essências do rim e com hiperatividade do fogo devido a deficiência de yin.
    A língua rachada congênita e a língua rachada sem sinais mórbidos são normais.
  • Língua espinhosa: Brotos papilares vermelhos sobre a superficie da língua, estufados como espinhas, indicam hiperatividade de calor patógeno.
  • Língua rígida e trêmula: Uma língua que é rígida e difícil de tomar, e dificulta  a fala, indica a invasão de calor exógeno e distúrbio da mente pela fleuma-calor. Indica também danos ao yin do fígado por causa do calor excessivo que agita o vento ou obstrução de meridianos e colaterais por vento-fleuma. O tremor da língua em enfermidades prolongadas indica frequentemente xu (deficiência) de qi e yin.
  • Língua desviada: Indica a obstrução dos meridianos e colaterais por vento-fleuma.

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Saburra da Língua

  • Saburra branca: A saburra branca da língua pode ser fina ou grossa, pegajosa ou seca. Uma saburra branca e fina é normal, mas em uma enfermidade exógena ela indica geralmente a invasão de vento-frio nos pulmões. Uma saburra branca e espessa indica frequentemente a retenção de alimentos. Uma saburra branca e pegajosa indica a invasão de frio-umidade exógeno ou a retenção de fleuma-umidade no interior. Uma saburra branca e seca indica a invasão de um fator viral.
  • Saburra amarela: Uma saburra amarela na língua pode ser fina ou grossa, pegajosa ou seca. Uma saburra amarela e fina indica a invasão de vento-calor nos pulmões, porém uma saburra amarela e grossa indica a acumulação persistente de alimentos no estomago e nos intestinos. Uma saburra amarela e pegajosa indica acumulo de umidade-calor no interior ou bloqueio dos pulmões por fleuma-calor. Uma saburra amarela e seca indica o acúmulo de calor no estomago e nos intestinos que prejudica o yin (fluidos).
  • Saburra negro acinzentado: Também pode ser úmida ou seca. Úmida indica frequentemente retenção de frio-umidade no interior ou frio endógeno excessivo devido a deficiência de yang. Seca indica o consumo de líquidos corporais por calor excessivo ou hiperatividade do fogo devido a deficiência de yin.
  • Saburra descascada: Chamada também de “língua mapeada”. Se a saburra inteira some da superfície da língua ela é lisa como um espelho, se denomina “língua espelho”. As duas manifestações indicam crise de uma enfermidade prolongada em que o fator anti-patógeno é gravemente lesionado e o yin é totalmente consumido.

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A mudança anormal da língua e sua saburra sugere mudar a natureza da enfermidade colocando a doença em diferentes aspectos. Geralmente, a observação das mudanças na língua é principalmente para saber se os órgãos zangfu, qi, xue e líquidos corporais  estão em um estado xu (deficiência) ou shi (excesso), portanto a observação da saburra da língua serve para saber o estado dos fatores patógenos. Por tanto, no diagnóstico mediante a observação da língua é necessário haver uma análise sobre a mudança da própria língua e sua saburra.
Tem que prestar atenção aos fenômenos falsos. Um tem a língua mais vermelha e sua saburra mais fina depois de comer e tomar bebidas quentes. Alguns alimentos e medicamentos  que mudam a cor da saburra da língua, por exemplo, a oliva, a amora e a ameixa podem colocar a língua tornando preto acinzentado, laranja, tangerina, riboflavina e a vitamina B, podem dar cor amarela a língua. E quem fuma ou toma álcool, até o café tem a probabilidade de tonar a saburra grossa e de cor amarelo acinzentado. Como a observação da cor da língua e sua saburra é um método importante de diagnóstico, é preferível fazer sob a luz do dia.