Entrevista sobre Acupuntura na Tv Aperipê/Tv Cultura

No dia 24 de novembro de 2017 fui convidado para uma entrevista sobre “Acupuntura e sua visão Holística” no Canal da fundação Aperipê canal 06, em parceria com a Tv Cultura, a entrevista foi ao ar no dia 01 de dezembro de 2017. Segue partes da entrevista.

 

 

Para ver no YouTube e comentar sobre o que mais você gostaria de saber sobre acupuntura no programa, clique AQUI

História das ventosas

8 revisões

Olá pessoal. Estou aqui novamente e mais uma vez com o tema das ventosas.
A ventosaterapia é um tratamento que usa-se o vácuo em copos, ou objetos com essa forma, para realizar a sucção da pele, promovendo vários benefícios que vai muito além do que os observados na pela (parte externa do corpo).

Dessa vez vamos passear um pouco na história dessa terapia, que data muito tempo atrás e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros.
Caso queira saber sobre o benefícios no tratamento da ventosa clique aqui.

Como já é de costume aqui no O Acupunturista, eu escolhi autores que falam muito bem sobre isso e vou por vezes copia-los ou parafrasear suas citações já que são nomes de grande importância na área, são eles Ilkay Zihni Chirali e Julian Scott.

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Ventosas de vidro

Os primeiros métodos de aplicação de ventosas

A ventosa terapia é utilizada há centenas de anos na China.
Inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio.

Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han, em 1973. Alguns métodos terapêuticos de aplicação de ventosas também foram encontrados em um livro por Zouhou Fang, ao redor de 28 aD. O tratamento de alguns casos de tuberculose foram registrados em Weitaimiyao, em 755 aD. Trezentos anos depois, outro clássico antigo, Susen Liang Fang, registrou a cura de uma tosse crônica e o restabelecimento da saúde após mordeduras de cobra venenosa por meio da ventosaterapia (Che Bin, Dr.He Chong, comunicações pessoais, 1995).

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Ventosas de chifre

Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiencia acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Atualmente pode ser utilizadas para o tratamento das síndromes “Bi”, asma, resfriado comum, tosse crônica, problemas de indigestão e de algumas patologias da pele. Durante a dinastia Jin, Ge Hong (281-341 aD), em seu livro “A Handbook os prescriptions for emergencies“, mencionou pela primeira vez o suso de chifres de animais como meios de drenagem de pústulas. Zhao Xueming, da dinastia Qing (1644-1911), em seu Suplemento ao “Outline of herbal pharmacopoeia“, escreveu um capítulo à parte sobre o assunto sob o título “Fire-Jar Qi” (O Qi do Jarro de Fogo). A ventosa natural feita de chifre foi substituída por ventosas feitas com bambu, cerâmica ou vidro.

A um ditado na China “Com Acupuntura e ventosa, mais da metade das doenças é curada”. Zhao Xue Ming, um médico que viveu a mais de 200 anos, compilou um livro intitulado Ben Cao Gang Mu She Yi, no qual ele descreve detalhadamente a história e a origem dos diferentes tipos de aplicação de ventosas, suas formas, funções e aplicações.

Nos anos 50, a eficacia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica.

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Ventosas de plástico/acrílico

No Ocidente

Os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o suso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Naquela época havia duas escolas com filosofias distintas em relação a doença do corpo ou fazer sangrar com o intuito de drena-la.
Galeno frequentemente censurava o renomado médico Erasistraus, que clinicava em Alexandria, no Egito, no terceiro século a.C., por não fazer o uso de ventosas. Erasistraus usava o jejum para quase todo tipo de cura. Entre os egípcios e as várias nações que habitavam aquele país, parece que a aplicação de ventosas tem sido considerada uma forma de tratamento para quase todo tipo de doença te também um meio importante para preservar a saúde.

Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.”

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Ventosas de borracha

Em seu livro “Galen on blood letting”, Peter Brain indica que, para Galeno (129-200 aD), a doença e a saúde eram definidas em termos de sua natureza. “A doença é um estado artificial do corpo”, declara Galeno, “que prejudica uma função. A saúde é um estado que está em harmonia com a natureza e que determina as funções”. Podemos ver a semelhança com a teoria da MTC, onde a doença ocorre pelo desequilíbrio do yin e yang.

Galeno continua demonstrando estratégias de tratamento quase idênticas aos citados no antigo tratado chinês abordado em “o livro do imperador amarelo”, na relação paciente, enfermidade e natureza, informa também que essa também era a opinião de Hipócrates.

A milhares de anos, todos os autores médicos distinguem duas formas de aplicação de ventosas: Seca e Molhada. Na aplicação Seca, não há remoção de sangue do corpo. Remove-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele, que fica intumescida (inchada). Na técnica Molhada, o processo começa com a aplicação Seca e, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar sangue.

O cirurgião Charles Kennedy escreveu em 1826 “A arte da aplicação de ventosas tem sido tão bem conhecida e seus benefícios há tanto tempo percebidos, que é absolutamente desnecessário trazer testemunhos a favor do que tem recebido aprovação não somente da comunidade moderna, mas também a ratificação dos mais antigo povos da história humana”.

Entre os egípcios, que introduziram a sangria na Grécia, a aplicação de ventosas era o tratamento habitual para quase toda enfermidade e, sem dúvida, eles herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, de quem obtiveram outros conhecimentos.

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Ventosas elétricas

Samuel Bayfield ilustra cinco diferentes tamanhos de equipamento de ventosa em seu livro. Ele faz a seguinte avaliação da história das ventosas na Europa:
“Essa antiga arte foi levada dos egípcios aos gregos por Cecrops, que emigrou com seus companheiros do Egito, estabeleceu uma colônia na Grécia e construiu a cidade de Atenas no ano do Mundo de 2448; apesar de haver indícios de que essa prática já era conhecida entre antigas civilizações de outros países e até em algumas tribos de selvagens incultos, a origem real desse método ainda é obscura e não há como comprovar as primeiras práticas, pois não há registro delas. Verificou-se que os nativos da América, hotentotes, hindus, habitantes das Ilhas do Mar do Sul e da Nova Holanda, japoneses e chineses praticavam há muito tempo a operação de aplicar ventosas”. “Observando outra parte dos trabalhos de Hipócrates, parece que os mais antigos médicos gregos faziam uso de ventosas grandes, empregadas para a redução de deslocamentos de vértebras, pois supunham que os ossos, quando protuberantes para dentro, poderiam ser colocados de volta a sua posição normal pela sucção com ventosas”. De Hipócrates, que morreu com a idade de 101 anos em Larissa, na Tessália, no ano 361 a.C, essa arte foi passada por sucessivos médicos, os quais valorizaram ou negligenciaram o método!”
“No ano 360, floresceu Oribasius, professor de Medicina de Alexandria e médico de Júlio, o apóstata. Ele tece muitos comentários sobre sangrias localizadas e ventosas. No século quinto, com o final da intervenção dos godos, vândalos e outros bárbaros destruíram todos os centros de erudição e aniquilaram as artes , não só as científicas como todas as artes de forma geral; os conhecimentos de medicina também sucumbiram com a ruína generalizada; mas no século nove, depois que os sarracenos expulsaram os godos, encontramos esse método nas mãos dos árabes na Espanha, os quais fizeram uso da técnica por trezentos ou quatrocentos anos. No ´seculo seguinte, encontramos Rhazes empregando amplamente essa técnica associada com a escarificação, por meio da qual ele curou o Rei Hamet de um ataque de apoplexia. Com a ciência árabe começando a se estender para a Itália – para os espanhóis eles estabeleceram correspondência médica com os médicos italianos – e os gregos emigrando para a Itália no século 15, a Itália se tornou o campo favorito da ciência médica”. “Em 1683, Bellini, um eminente médico italiano, favoreceu o procedimento da Técnica Seca de Ventosa”.

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Ventosas de bambu

Declínio do uso de Ventosas

A utilização das ventosas desapareceu na América e na Europa no início do século 20, mas seu desaparecimento foi gradual e quase despercebido. Alguns dos dispositivos mais sofisticados para aplicação de ventosas foram inventados num período em que os médicos, em sua maioria, já consideravam as ventosas ineficazes. Um dos últimos defensores da sangria na América, Heinrich Stern, escrevendo em 1915, também defendeu o uso de uma bomba de sucção elétrica para retirar sangue. Ele declarou que as equimoses poderiam se prolongar com o uso de um motor elétrico por 15, 30 minutos, ou mais Além de alguns dispositivos sofisticados, as ventosas simples, especialmente a técnica seca das aplicações, continuaram sendo razoavelmente utilizadas até o início da década de 40. Embora as aplicações de ventosas não fossem mais indicadas pelos médicos, a maioria das companhias de material cirúrgico fazia propaganda de ventosas, escarificadores e conjunto de ferramentas para o tratamento com ventosa durante a década de 20 e até nos anos 30. Depois desse período, nunca mais foi usada por um médico, sendo relegada aos serviços dos barbeiros. Era comum o anúncio na vitrine de uma barbearia: “Ventosas para resfriados”.
A descoberta dos vários antibióticos e das drogas redutoras da febre também contribuiu para o declínio da ventosaterapia.

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Novo interesse pela ventosaterapia

Hoje em dia, à medida que aumenta o número de pessoas que buscam as terapias alternativas para tratar seus problemas de saúde, as terapias como aromaterapia, reflexologia, quiroprática, osteopatia, Tui-Na, massagem e Acupuntura se tornaram populares. A educação e a conscientização das pessoas também mudaram, passando a ver aqueles remédios “charlatanescos” como tratamentos alternativos mais respeitáveis. tanto na América como na Europa, a instrução do terapeuta alternativo tem outro propósito. Infelizmente, a maioria das escolas de Acupuntura não inclui em seu currículo a carga horária adequada para o estudo da ventosaterapia.

Tipos de ventosas

No decorrer desse texto fui postando fotos de diferentes formas de ventosas, entre elas: ventosas eletromagnéticas, portáteis, ventosas com parafusos, com válvulas, com tampos de borracha, de bambu e de vidro.

Já pensou em estudar/trabalhar com Acupuntura na Austrália?

Alguém ai pensa em morar/estudar na Austrália?
Para nós acupunturistas essa ideia vem acompanhada de importantes motivadores vindo da parte australiana para conosco. Através de um artigo publicado em 2014, conseguimos tudo que a Austrália tem sobre Acupuntura, então sente direito na cadeira, sofá ou na rede que lá vem um texto intenso e cheio de detalhes, o artigo não deixa passar nada e você irá ficar mais do que informado sobre a atuação da Acupuntura na terra dos cangurus.

Acupuntura foi introduzida na Austrália já na década de 1880 e é uma forma de medicina complementar e alternativa neste país. Nas últimas duas décadas, desde a década de 1990, a acupuntura sofreu um rápido crescimento. Atualmente, cerca de 4000 acupuntores estão registrados no Chinese Medicine Board of Australia. “Acupuncturist“, “praticante de medicina oriental” e “praticantes de medicina chinesa” são títulos protegidos para acupuntores registrados. Um grau de bacharel de 4 anos em áreas relacionadas é o requisito mínimo para registro na Austrália. Três universidades públicas e três grandes faculdades privadas oferecem nove programas de graduação e três pós-graduações aprovados pelo Conselho de Medicina Chinesa da Austrália (Chinese Medicine Board of Australia). Essas três universidades também oferecem programas de Mestrado e Doutorado em Filosofia. Acupuntura é bem aceita pelos australianos, sendo que 10% receberam esse tratamento e 80% dos médicos em geral encaminhando seus pacientes ao serviço de acupuntura. Todos os regimes privados de seguro de saúde oferecem descontos aos pacientes que recebem tratamento de acupuntura, e o pagamento por terceiros também está disponível em seis dos oito estados e territórios australianos. O resultado da pesquisa em acupuntura aumentou bastante desde 2000. A maioria das pesquisas se concentra na acupuntura e no Tai Chi como modalidades de tratamento e principalmente investiga seu mecanismo de ação, dor associada e condições ginecológicas e respiratórias. A direção futura da acupuntura na Austrália é introduzir esta técnica em hospitais e obter acesso ao regime de benefícios médicos para que a acupuntura seja acessada por uma comunidade mais ampla, em particular aqueles que são de origem desfavorecida. Em conclusão, a melhoria da educação, regulamentação e pesquisa de acupuntura na Austrália colocou este país em uma posição de liderança entre os países ocidentais em relação aos serviços de acupuntura.

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Acupuncture in Australia: regulation, education, practice, and research

Introdução

A acupuntura entrou pela primeira vez na Austrália como parte da “medicina chinesa” durante o período de corrida do ouro com escavadores de ouro na década de 1880. Atualmente, a acupuntura é uma forma comummente utilizada de medicina complementar e alternativa (CAM) praticada por profissionais de medicina chinesa, bem como outros profissionais de saúde, incluindo médicos orientais, médicos, fisioterapeutas, enfermeiras, parteiras, quiropráticos e praticantes de osteopatia e naturopatia. Um em cada 10 australianos foi tratado pela acupuntura nos últimos 12 meses. Mais de 80% dos praticantes de medicina geral encaminham seus pacientes para acupuntores pelo menos uma vez por ano.

Na Austrália, a acupuntura tornou-se profissão registrada em 2000 no estado de Victoria; O registro nacional de acupuntores foi tornado obrigatório em 2012. Até agora, mais de 4000 praticantes se registraram no Chinese Medicine Board of Australia (CMBA) . Este número não inclui muitos outros profissionais de saúde que também praticam acupuntura.

O CMBA está sob a governança do Australian Health Practitioner Regulation Agent, um órgão governamental que administra o registro de todos os profissionais de saúde. Guiada pelo Australian Health Practitioner Regulation Agent, o CMBA desenvolve uma série de diretrizes para regular, orientar e avaliar a prática e educação da medicina chinesa.

Este artigo fornecerá uma visão geral da história da acupuntura na Austrália, órgãos profissionais relacionados e regulamentos sobre prática, educação e pesquisa. O artigo termina com uma breve discussão sobre a direção futura da acupuntura na Austrália.

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História da acupuntura na Austrália

Acupuntura experimentou quatro estágios de desenvolvimento na Austrália: estágio de autogestão (1880s-1960); estágio de desenvolvimento profissional (1970s-1980), quando o treinamento de acupuntura foi oferecido por faculdades privadas; estágio de configuração padrão (década de 1990), quando os programas de graduação foram oferecidos em quatro universidades públicas; e finalmente regulação (de 2000 até agora). A última etapa começou em 2000 com o registro de praticantes de medicina chinesa em Victoria, o primeiro estado a regular a prática tanto de acupuntura quanto de ervas medicinais chinesas. Por 12 anos Victoria permaneceu o único estado na Austrália a permitir o registro de praticantes de medicina chinesa. Recentemente, a medicina chinesa é uma profissão registrada nacionalmente, juntamente com outras 13 profissões (Tabela 1). A Austrália tornou-se o oitavo país a ter a medicina chinesa diretamente regulada pelos governos centrais, depois da China, Hong Kong, Japão, Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan e Malásia.
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Corpo profissional

Existem muitas associações na Austrália que oferecem adesão a acupuntura e / ou praticantes chineses de medicina herbal. Entre eles, os quatro maiores são a Australian Acupuncture and Chinese Medicine Association (AACMA), a Federation of Chinese Medicine and Acupuncture Australia, a Australian Natural Therapists Association, e a Australian Traditional-Medicine Society. Os dois primeiros são especificamente para praticantes de medicina chinesa, enquanto os dois últimos são para aqueles de terapias naturais ou tradicionais.

Com mais de 2000 membros, a AACMA é a maior e máxima associação que representa a comunidade de medicina chinesa na Austrália. Antes do registro nacional, a AACMA estabeleceu os padrões de educação e acreditação da medicina chinesa para provedores privados de fundos de saúde. Após o registro, os padrões de educação e registro agora são definidos pelo CMBA.

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Registros e legislação

1 – Títulos protegidos
A nova lei de registro protege os títulos de “acupunturista”, “dispensador de ervas chinês”(Chinese herbal dispenser), “praticante de medicina herbal chinesa”, “praticante de medicina oriental” e “praticante de medicina chinesa”. O título de praticante de massagem Tuina ou chinesa não está protegido, uma vez que a terapia não está incluída no regime nacional de registo. Os praticantes podem se inscrever em uma ou mais divisões, incluindo acupuntura, medicina herbal chinesa e/ou dispensação de ervas chinesas. A lei protege os títulos, mas não a prática; isto é, qualquer pessoa pode praticar algo como acupuntura ou medicina chinesa à base de plantas, desde que a pessoa não leve os pacientes a acreditar que ele/ela está praticando a acupuntura ou a medicina herbal chinesa. Entre os medicamentos para a saúde aliados ou CAMs, a única prática protegida é a manipulação cervical, que pode ser realizada somente por quiropráticos registrados, praticantes de osteopatia ou fisioterapeutas.

2 – Composição dos registrantes
    Até dezembro de 2013, 4093 praticantes foram registradas pelo conselho. Entre eles, quase metade se registrou com divisão de acupuntura e medicina chinesa, um terço com acupuntura somente, mais de 10% com as três divisões (isto é, acupuntura, chinês medicina herbal e dispensação de ervas chinesas) e <1,5% apenas com ervas medicinais chinesas, que representam mais de 97% dos registrantes que praticam a acupuntura.

Entre os inscritos, 40% estão localizados no estado de Nova Gales do Sul, 28% em Victoria, 19% em Queensland e o resto em outros estados e territórios. Isso geralmente é consistente com a distribuição da população na Austrália, já que o estado mais populoso tem o maior número de profissionais de medicina chineses registrados. No entanto, a relação paciente-praticante varia de estado para estado (Tabela 2). A partir de junho de 2013, a população total da Austrália é de 23 milhões, com um terço em Nova Gales do Sul, um quarto em Victoria e um quinto em Queensland. Esta distribuição populacional indica cerca de 4500 pessoas por praticante de medicina chinesa em New South País de Gales, 5000 em Victoria, 6000 em Queensland e cerca de 20 mil em Northern Territories. Em média, na Austrália, há um profissional de medicina chinesa por 5650 pessoas. Há uma escassez de praticantes de medicina chinesa na Austrália Ocidental, Austrália do Sul, Território do Norte e Tasmânia.
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Entre os inscritos, 55% são do sexo feminino e o resto são do sexo masculino. Mais de metade dos praticantes registrados têm idade entre 40 anos e 60 anos, e cerca de 5% são menores de 30 anos, indicando que a maioria dos praticantes tem idade média ou mais. Pode haver uma escassez de praticantes de medicina chinesa nos próximos 20 anos, já que <5% dos praticantes têm menos de 30 anos.

3 – CMBA e padrões de registro
O CMBA foi formado em 2011 para trabalhar com o Australian Health Practitioner Regulation Agent para estabelecer vários regulamentos, diretrizes e padrões. O conselho possui nove membros e seis profissionais, representando seis estados e dois territórios e três membros da comunidade. Os membros dos praticantes incluem acupunturistas, praticantes chineses de fitoterapia e dispensadores chineses de ervas.

Deve cumprir todos os padrões de registro para poder se registrar no conselho e renovar o registro a cada ano. A Tabela 3 descreve os padrões obrigatórios para registro e renovação.
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Educação e creditação

Antes de 2000, quando a medicina chinesa estava registrada em Victoria, o padrão educacional era principalmente auto-regulatório pela profissão. De acordo com os padrões de creditação do curso estabelecidos pelo Chinese Medicine Registration Board de Victoria, o programa de acupuntura estudado no nível de bacharel deve ter um mínimo de 4 anos de treinamento, o que contrasta com o grau de bacharel padrão de 3 anos em artes liberais ou ciência na Austrália. O curso de treinamento de acupuntura é dividido igualmente entre teoria, prática clínica e estudo de ciências médicas ocidentais. Problemas profissionais e de prática também estão incluídos, e o conteúdo abrange a conduta ética, questões regulatórias e gerenciamento de práticas. Os cursos sobre questões profissionais são particularmente importantes e únicos para a situação da Austrália, já que a acupuntura é praticada principalmente em clínicas privadas na Austrália.

Desde 2012, de acordo com a disposição grandparente da Lei Nacional, foram reconhecidos vários diplomas avançados e programas de bacharelado da Austrália, China e outros países. Os praticantes com essas qualificações são elegíveis para serem avaliados pelo conselho para registro. As pessoas com uma qualificação inferior ao diploma avançado ou de instituições não reconhecidas não são elegíveis para registro. O plano de grandparente termina em julho de 2015.

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Programas australianos aprovados

A partir de outubro de 2013, foram aprovados nove programas de bacharel existentes: dois programas do Endeavour College of Natural Health a nível nacional, três programas de bacharelado da Universidade Royal Melbourne Institute of Technology (RMIT), um da Southern School of Natural Terapy em Melbourne, uma do Sydney College of Traditional Chinese Medicine e duas da University of Technology em Sydney (Tabela 4) .7. No nível de pós-graduação, foram aprovados dois programas de mestrado da Universidade RMIT e um programa de licenciatura que conduziu a um programa de mestrado da Universidade de Sydney Ocidental (Tabela 4). Embora o programa da Universidade de Western Sydney seja projetado para entrar em um programa de bacharelado para aqueles que podem ou não ter antecedentes de ciência da saúde, graus de mestrado na Universidade RMIT exigem graduação em ciências da saúde e são projetados para profissionais de saúde existentes, incluindo médicos, fisioterapeutas, quiropráticos, praticantes de osteopatia, enfermeiras, terapeutas ocupacionais, praticantes de naturopatia, massoterapeutas, praticantes de medicina chinesa e médicos orientais, que desejam incorporar a acupuntura ou medicina herbal chinesa em sua prática ou atualizar seu treinamento. Na Austrália, os programas universitários da RMIT são os únicos programas de meio período para profissionais de saúde ocupados.

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Comitê de creditação de medicina chinesa e os padrões de creditação

O CMBA estabeleceu o Comitê de Credenciamento de Medicina Chinesa (Chinese Medicine Accreditation Committee) para estabelecer padrões de creditação e avaliar programas e provedores de educação. Se o programa for credenciado ou não será decidido pelo CMBA. Uma vez que um programa é credenciado, os graduados do programa poderão se registrar no CMBA se cumprirem todos os requisitos de registro obrigatório.

O comitê é composto por seis membros, incluindo dois especialistas em educação de fora do domínio da medicina chinesa e quatro educadores, profissionais e pesquisadores de medicina chinesa. O trabalho do comitê é assistido por um grupo de assessores e uma unidade de creditação. Este comitê não avalia nem cursos estrangeiros nem habilidades para fins de imigração.

O comitê desenvolveu e divulgou os “padrões de creditação” 8 em dezembro de 2013. Ao contrário dos padrões anteriores estabelecidos pelo Conselho de Registro em Medicina Chinesa de Victoria, os novos padrões são não prescritos e se concentram nos resultados em vez de se concentrar no conteúdo do curso. Por exemplo, não há uma descrição detalhada sobre o tempo necessário para cada componente do estudo, o número de horas clínicas necessárias ou a relação entre palestra e aulas práticas. Os novos padrões colocam a responsabilidade nos provedores de educação para demonstrar se e como cada padrão é cumprido e avaliado. Esses padrões focados em resultados incentivam o desenvolvimento de métodos inovadores de ensino e avaliação e documentação completa do processo.

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Descontos de fundo de prática e saúde

Acupuntura geralmente é bem recebida na Austrália. Quase 85% dos 544 médicos de clínica geral examinados consideraram a acupuntura como efetiva e segura para a atenção primária. A taxa de referência é tão alta como 80% em algumas cidades e cerca de 70% na Austrália rural. A acupuntura é praticada principalmente em clínicas privadas, incluindo aqueles que fornecem acupuntura, medicina chinesa, medicina oriental, medicina geral, fisioterapia e outros serviços de saúde. Nos últimos anos, as clínicas multidisciplinares tornaram-se comuns, onde acupuntores trabalham com médicos; profissionais de saúde aliados, como fisioterapeutas, quiropráticos e praticantes de osteopatia; ou outros profissionais de medicina complementar, como os praticantes naturopáticos. Acupuntura ainda deve ser introduzida nos hospitais como uma das intervenções de rotina.

O Medicare é o esquema universal de cuidados de saúde na Austrália; os pacientes devem pagar apenas uma pequena quantidade ou nada para procedimentos e intervenções de diagnóstico médico. As despesas relacionadas com a acupuntura praticada por médicos médicos qualificados são cobertas pelo Medicare, e os pacientes não pagam nada ou pagam apenas um pequeno montante. Um estudo de 2013 mostrou que 3,4% de clínicos gerais fizeram pedidos de serviço de acupuntura através do Medicare e o custo total da acupuntura é de 0,16% da despesa do Medicare de todos os médicos de clínica geral. No entanto, os custos relacionados com a acupuntura praticada por acupunturistas registrados não são cobertos pelo Medicare; Estes são cobertos por fundos privados de seguro de saúde. Os australianos são encorajados a comprar seguro de saúde privado para reduzir a pressão sobre o sistema público. Todas as companhias privadas de seguros de saúde fornecem descontos para o tratamento de acupuntura. Esses tratamentos não requerem uma consulta do médico.

Além disso, em seis dos oito estados e territórios, os órgãos da Worksafe e as comissões de acidentes de trânsito ou organizações equivalentes cobrem despesas relacionadas ao tratamento de acupuntura. Isso é chamado de pagamento de terceiros. É necessária uma remessa e aprovação do médico pela autoridade competente antes do início do tratamento.

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Pesquisa

A pesquisa australiana em acupuntura e técnicas relacionadas é forte. Uma pesquisa em bancos de dados PubMed e Web of Science identificou 315 artigos sobre acupuntura diretamente. Houve um aumento dramático na publicação desde 2000, e mais de 70% dos trabalhos foram publicados nos últimos 14 anos (Fig. 1). Os autores australianos completaram 14 revisões sistemáticas Cochrane sobre acupuntura, e todas foram publicadas após o ano de 2000. A maioria dos 315 artigos estão relacionados à acupuntura, a eletroacupuntura e a acupuntura a laser (Fig. 2). Isto é seguido pela pesquisa Tai Chi. Existem poucos estudos sobre o engate e Qi Gong. Os temas de pesquisa variam amplamente, desde os mecanismos até a educação, e do bem-estar geral às áreas especializadas (Tabela 5). Quase 18% dos estudos são sobre mecanismos de acupuntura, seguidos de estudos sobre dor, condições ginecológicas e obstétricas e condições respiratórias. A pesquisa sobre dor inclui dor musculoesquelética, dor visceral e dor aguda e crônica. As condições ginecológicas e obstétricas incluem fertilidade, sintomas durante a gravidez e parto, e síndromes ováricas policísticas. As condições respiratórias incluem febre do feno, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica. Há pouquíssimos estudos em crianças sobre suas condições neurológicas, condições dermatológicas e comprometimento cognitivo.

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A colaboração multidisciplinar é a tendência da pesquisa de acupuntura. Usando a dor como exemplo, 22 revisões sistemáticas e ensaios clínicos centrados no tratamento de acupuntura para dor foram publicados durante 1970-2009. Desses, 14 foram pesquisas colaborativas entre medicina chinesa, médicos ocidentais, fisioterapeutas, estatísticos e farmacêuticos. Mais de 50% foram publicados em revistas médicas ou médicas do esporte, e cerca de 30% em revistas de medicina complementar ou chinesa.

As quatro universidades públicas (Universidade RMIT, Universidade de Victoria (UV), University of Western Sydney e Univerity of Technology, Syndey (UTS)), que fornecem educação em medicina chinesa, realizam pesquisas sobre acupuntura. Muitas outras universidades públicas e privadas que oferecem treinamento em medicina ocidental, medicina complementar ou fisioterapia também realizam pesquisa de acupuntura. Esses institutos incluem, entre outros: Universidade de Melbourne, Universidade de Monash, Universidade de Deakin, Universidade de Latrobe, Universidade de Queensland, Universidade de Sydney, Universidade de Nova Gales do Sul, Universidade de Newcastle, Universidade de Charles Sturt, Universidade de Flinders, Universidade da Austrália do Sul, Universidade Curtin , e Universidade de Notre Dame, Austrália. Estudos são freqüentemente realizados em colaboração com hospitais.

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Sendo uma forma de CAM (Medicina complementar e alternativa) na Austrália, a acupuntura atrai financiamento limitado. Usando a dor como exemplo, de 22 revisões sistemáticas e ensaios clínicos sobre acupuntura publicados entre 1970 e 2009, 12 não mencionaram financiamento, seis foram financiados internamente ou autofinanciados por autores e apenas três foram financiados a nível federal. Pesquisar a CAM faz parte do plano estratégico do Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (NHMRC), o único órgão de financiamento da pesquisa médica no nível do governo federal. De 2000 a 2013, a NHMRC concedeu mais de US $ 86 milhões para financiar 641 projetos e, entre 2014 e 2017, o governo comprometeu mais de US $ 100 milhões em 74 projetos. Entre os 715 projetos CAM, 13 são especificamente sobre acupuntura, incluindo acupuntura manual, eletroacupuntura e a acupuntura a laser, com um financiamento total de cerca de US $ 4,7 milhões 28, o que equivale a 2,5% do financiamento total da pesquisa CAM entre 2000 e 2017.

Ao longo dos anos, as estratégias NHMRC para CAM mudaram. Entre 2010 e 2012, a NHMRC procurou examinar “reivindicações de terapia alternativa” através do apoio à pesquisa baseada em evidências. Nos últimos anos (2013-2015), o NHMRC pretende investigar “reivindicando benefícios para a saúde humana não baseados em evidências”, apoiando o desenvolvimento de recursos para facilitar a discussão entre clínicos e pacientes no uso de CAM e para rever a eficácia da CAM e outros novos projetos nas áreas CAM. Esses estudos e avaliações ajudarão, em última instância, a promover o uso de algumas CAMs e a rejeitar o uso de outras.

Em resumo, os pesquisadores australianos são altamente produtivos com financiamento muito limitado. Embora o governo da Austrália encoraje abordagens baseadas em evidências para a pesquisa da CAM, incluindo a acupuntura, a pesquisa de acupuntura requer muito mais financiamento. Apenas confiar no financiamento do governo não será prático. O financiamento de instituições de educação e pesquisa, órgãos profissionais, organizações filantrópicas, fontes comerciais e organizações estrangeiras é necessário para realizar pesquisas adicionais sobre a acupuntura na Austrália.

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Australian Journal of Acupuncture and Chinese Medicine

Australian Journal of Acupuncture and Chinese Medicine (AJACM) é o único periódico revisado por pares dedicado à medicina chinesa na região do Pacífico, e é o jornal oficial da AACMA. Está agora no seu 10º ano de publicação. AJACM está incluído no banco de dados Scopus, e seu texto completo pode ser acessado pelo EBSCOhost. Esta revista pretende reconhecer a diversidade de práticas, encoraja os rigores de pesquisa e celebra a integração de pesquisas, práticas e educação. Ele se concentra na pesquisa humana e publica revisões sistemáticas, ensaios clínicos, séries de casos e artigos de debate bem discutidos e referenciados. Os trabalhos publicados incluem aqueles em pesquisas mecanicistas, clínicas, educacionais ou regulatórias. A publicação na revista é gratuita. A editora da revista pretende tornar os documentos acessíveis a todos os leitores. Após um atraso de 1 ano, todos os trabalhos desta revista estão disponíveis gratuitamente para os leitores. Mais informações podem ser encontradas em http://www.ajacm.com.au/.

Direção futura e conclusão

Nos últimos 20 anos, o estado da educação e regulação da acupuntura na Austrália melhorou tremendamente. O próximo passo para a acupuntura na Austrália é apresentar esta opção de tratamento aos hospitais. Nesta fase, o serviço de acupuntura hospitalar é de natureza investigativa ou é fornecido por profissionais de medicina não-chineses. O uso da acupuntura em hospitais australianos é altamente viável. Um estudo recente sobre a introdução de serviços de acupuntura pela Universidade RMIT para um departamento de emergência em um hospital público em Victoria atraiu muita atenção nacional. Dentro de 7 meses, 200 pacientes foram tratados com acupuntura além dos cuidados médicos padrão e mais de 80% estavam dispostos a ter mais tratamento de acupuntura. A redução da dor foi superior a 2,3 em uma Escala Analógica Visual de 10 cm. O estudo descobriu que a acupuntura foi eficaz e segura, e os pacientes foram satisfeitos por este serviço adicional. Estreitamente ligado a esta etapa é o fato de que a acupuntura está incluída no Plano de Benefícios do Medicare. Este passo é crucial não só para a prática hospitalar, mas também para promover a igualdade nos cuidados de saúde. Os australianos com origens desfavorecidas não podem pagar o tratamento de acupuntura fornecido por acupuntores registrados nesta fase.

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A introdução do tratamento de acupuntura nos hospitais pode revelar-se um processo complicado. Pesquisas baseadas em evidências e estudos de viabilidade são passos importantes que levam a uma maior utilização da acupuntura nos hospitais. Também são necessárias mudanças de financiamento, política e cultura. Atualmente, a CAM hospitalar, incluindo a acupuntura, é gratuita para pacientes e depende do financiamento da pesquisa ou do financiamento da clínica. Até que as despesas relacionadas à acupuntura sejam cobertas pelo Medicare, a prática de acupuntura no hospital permanece inviável. Outro obstáculo é o regime profissional de indenização em hospitais, em particular em hospitais públicos. A forma como a prática de acupuntura no hospital será indenizada ainda não foi resolvida. Finalmente, é necessário entender a cultura e aceitar o holismo. A acupuntura tradicional trata toda a pessoa, e sua teoria subjacente se afasta do reducionismo que a medicina ocidental pratica. Tal divisão pode ser percebida como um obstáculo para integrar a acupuntura no hospital. Este obstáculo já foi superado por duas razões principais. Primeiro, o treinamento em ciências médicas ocidentais é agora parte de todos os programas de educação em medicina chinesa credenciados. Graduados de programas reconhecidos são capazes de adotar linguagem médica ocidental para melhor comunicação. Em segundo lugar, uma comunicação de dois sentidos está ocorrendo. Um recente estudo australiano descobriu que os gerentes de prática de centros médicos ou hospitais da comunidade apreciam a integração mente-corpo que a CAM oferece aos seus pacientes e aceitam o benefício e a prática do CAM. O NHMRC atualmente apóia os comentários na CAM e o desenvolvimento de recursos do clínico . Este será um ponto de partida importante para melhorar a compreensão dos clínicos sobre CAM e para mudar a cultura.

Em resumo, a introdução precoce da educação de acupuntura nas universidades públicas australianas, o registro nacional e o acesso total a todos os fundos privados de seguro de saúde colocaram a Austrália em posição de liderança entre os países ocidentais em relação aos serviços de acupuntura. A pesquisa de acupuntura é cada vez mais forte, e acadêmicos e pesquisadores da medicina chinesa e outras disciplinas têm um maior interesse nessas áreas. Com capacidades de pesquisa aprimoradas e graduados de qualidade, a Austrália provavelmente continuará seu papel principal na prática de acupuntura entre os países ocidentais na próxima década.

FONTE:
ZHENG, Zhen. Acupuncture in Australia: regulation, education, practice, and research. Integrative Medicine Research, v. 3, n. 3, p. 103-110, 2014.
doi: 10.1016/j.imr.2014.06.002

Diarreia – Tratamento com Acupuntura

Diarreia aguda é a passagem de quantidade acima do normal de fezes amolecidas associada ao aumento do número de evacuações que durem menos de 14 dias (Organização Mundial de Gastroenterologia). Pode ser interpretada como um aumento na quantidade de água e eletrólitos nas fezes, levando à produção frequente de fezes malformadas. É esse comprometimento no equilíbrio entre reabsorção e secreção pela mucosa intestinal que leva à liquidificação das fezes. Dentre estas possíveis etiologias, especialmente em nosso meio, as causas infecciosas devem sempre vir à mente e constituir uma das primeiras opções na investigação diagnóstica. As infecções intestinais associadas a quadros diarreicos são a segunda causa de mortes de origem infecciosa em todo o mundo, com prevalência estimada de 3 a 5 bilhões de casos/ano. (Moraes, 2004)

Segundo a mais recente edição do livro-texto Sleisenger and Fordtran’s gastrointestinal and liver disease, o diagnóstico diferencial nos casos de diarreia aguda deve ter como enfoque cinco fatores principais: infecções, alergias alimentares, intoxicação alimentar, uso de medicações e apresentação inicial de diarreia crônica. (Moraes, 2004)

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Fatores de risco para diarreias

As gastroenterites apresentam grande gama de etiologias possíveis. No contexto das gastroenterites infecciosas, determinados comportamentos e/ou circunstâncias às quais os pacientes se expõem, bem como algumas comorbidades que apresentam, são considerados fatores de risco para a doença. São eles: viagem recente (especialmente para países em desenvolvimento — áreas tropicais); alimentos ou circunstâncias alimentares incomuns (frutos do mar, especialmente crus; refeições em restaurantes ou lanchonetes); homossexualidade, atividade sexual remunerada, uso de drogas intravenosas (pessoas em risco de infecção por HIV e de desenvolvimento de SIDA); uso recente de antibióticos. Convém ressaltar também que diversos dados epidemiológicos contribuem para o raciocínio diagnóstico. Tendo em vista a epidemiologia de cada caso, é possível identificar maior suspeição sobre determinados agentes etiológicos. As associações mais clássicas entre veículo de contaminação e patógeno estão dispostas no Quadro. (Moraes, 2004)

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Abordagem diagnóstica

Na abordagem do paciente com quadro de diarreia aguda, a anamnese e o exame físico são fundamentais. Não só pela contribuição para a suspeição quanto a determinados agentes etiológicos, mas também na orientação das próximas medidas diagnósticas a serem instituídas. A solicitação de exames laboratoriais não é custo-efetiva; assim, a maioria dos pacientes não necessita dos mesmos. A presença de pelo menos um dos “sinais de alarme” expostos a seguir justifica a solicitação de exames laboratoriais:

  1. Desidratação grave e/ou repercussões sistêmicas (taquicardia, hipotensão ortostática, redução da diurese, letargia).
  2. Idade maior ou igual a 70 anos.
  3. Diarreia por mais de três ou sete dias (apesar de adequadamente tratada).
  4. Sangue/muco nas fezes.
  5. Imunossupressão (por droga/HIV).
  6. Dor abdominal em paciente com mais de 50 anos.
  7. Temperatura axilar maior ou igual a 38,5°C.
  8. Mais de seis a 10 evacuações/dia.
  9. Diarreia do viajante (se cursar com disenteria).
  10. Diarreias nosocomiais e/ou institucionais.

Abordagem terapêutica

Na abordagem terapêutica, a principal medida a ser instituída é a terapia de reidratação. Independentemente de sua etiologia e forma de apresentação clínica, as medidas de suporte são fundamentais para o manejo adequado da doença. De acordo com orientação da OMS, a terapia de reidratação deve ser por via oral, sempre que possível. (Moraes, 2004)

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NA MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

Fatores que causam a diarreia aguda

  1. Transtornos dos órgãos digestivos devido a empanturrar-se de alimentos e a invasão de frio-umidade exógenos.
  2. Invasão de umidade-calor do verão e outono.

A diarreia crônica ocorre devido a xu de yang do Baço e Rim, que afeta a função de transporte e transformação do Baço.

Diferenciação

Diarreia aguda

  1. Frio-umidade – Diarreia aquosa com dor abdominal e borborigmos, calafrios, que são aliviados com o calor moderado, sem sede, língua pálida, saburra branca, pulso profundo e lento.
  2. Umidade-calor – Diarreia com fezes amarelas, quentes e de odor fétido, acompanhada de dor abdominal, sensação de ardor anal, urina escassa e amarela intensa, língua com saburra amarela e pegajosa, pulso rápido e escorregadio. Estes sintomas são as vezes acompanhados de febre e sede.

Diarreia crônica

  1. Xu de yang do Baço – Fezes moles com resíduos de alimentos mal digeridos, distensão epigástrica e abdominal, anorexia, lassitude, língua com saburra pálida e fina, pulso filiforme e fraco.
  2. Xu de yang do Rim – Leve dor abdominal na madrugada, borborigmos e diarreia uma vez ou várias vezes ao dia, frio abdominal e nas extremidades inferiores, saburra pálida e pulso profundo e fraco.

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Tratamento

Os pontos shu e mu do Intestino Grosso são pontos principais para o tratamento. Para o tipo frio-umidade, é necessário aplicar a acupuntura com método de tonificação e dispersão simultaneamente e combinado com moxabustão (ou com moxabustão indireta com gengibre), para o tipo umidade-calor, usa-se acupuntura com o método dispersante. Em casos crônicos, acupuntura com o método tonificante combinado a moxabustão. A moxabustão pode ser o tratamento principal nos casos de xu de yang do Rim.

Exemplo de pontos

Tianshu (E 36), Dachangshu (B 25), Zusanli (E 36).
Frio-umidade – Zhongwan (Ren 12), Qihai (Ren 6).
Umidade-calor – Neiting (E 44), Yinlingquan (BP 9), Hegu (IG 4).
Xu de yang do Baço – Pishu (B 20), Zhangmen (F 13), Taibai (BP 3), Zhongwan (Ren 12).
Xu de yang do Rim – Shenshu (B 23), Mingmen (Du 4), Taixi (R 3), Guanyuan (Ren 4), Baihui (du 20).

Tianshu e Dachangshu, os pontos Mu e Shu do Intestino Grosso, são muito efetivos para regular a função de transporte do Intestino Grosso e controlar a diarreia. Zusanli é usado para fortalecer a função de transporte do Baço e Estomago. A aplicação de acupuntura e moxabustão no Zhongwan e Qihai servem para esquentar o Baço e o Estomago e dispersar o frio. Neiting, Yinlingquan e Hegu com o método dispersante podem eliminar a umidade-calor do Intestino Grosso. A aplicação de acupuntura e moxabustão em Pishu, Zhangmen e Taibai, nos pontos Shu, Mu e Yuan do Baço, junto com Zhongwan, o ponto Mu do Estomago, ativam o yang do baço, promovem a função de transporte e conter a diarreia. Shenshu, Mingmen e Taixi podem esquentar e ativar o yang do Rim. A aplicação de moxabustão no Baihui pode elevar o qi que desceu do Baço, fortalecer o qi e conter a diarreia.

Nota – A diarreia na Medicina Tradicional Chinesa inclui diarreia por dispepsia, por enterite aguda e crônica, por enfermidades parasitarias intestinal, por enfermidade do pâncreas, do fígado e das vias biliares, por transtornos endócrinos, por transtornos do metabolismo e diarreia neurogênica. É um sinal e sintoma e sua causa deve ser tratada.