História da Acupuntura e MTC

História das ventosas

Olá pessoal. Estou aqui novamente e mais uma vez com o tema das ventosas.
A ventosaterapia é um tratamento que usa-se o vácuo em copos, ou objetos com essa forma, para realizar a sucção da pele, promovendo vários benefícios que vai muito além do que os observados na pela (parte externa do corpo).

Dessa vez vamos passear um pouco na história dessa terapia, que data muito tempo atrás e por vezes se perde no passado dos povos egípcios, chineses e tantos outros.
Caso queira saber sobre o benefícios no tratamento da ventosa clique aqui.

Como já é de costume aqui no O Acupunturista, eu escolhi autores que falam muito bem sobre isso e vou por vezes copia-los ou parafrasear suas citações já que são nomes de grande importância na área, são eles Ilkay Zihni Chirali e Julian Scott.

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Ventosas de vidro

Os primeiros métodos de aplicação de ventosas

A ventosa terapia é utilizada há centenas de anos na China.
Inicialmente usava-se chifres de gado e por esse motivo ficou conhecida como a “terapia do chifre”. Para criar uma pressão negativa dentro do chifre, acendia-se fogo e assim se retirava o ar. O método foi utilizado principalmente para remoção de pus e sangue dos furúnculos. Outra maneira de criar pressão negativa era abrir um orifício na extremidade do chifre e o praticante sugar o ar por esse orifício, ato que tornava a técnica perigosa já que sua única proteção era o comprimento do chifre. Mais tarde, a aplicação de ventosas foi utilizada como método auxiliar na cirurgia tradicional chinesa e, posteriormente, contatou-se que era eficaz para outras enfermidades, evoluindo para um método terapêutico próprio.

Os mais antigos registros do uso de ventosas foram encontrados no Bo Shu (um livro antigo escrito em seda), descoberto em um antigo túmulo da Dinastia Han, em 1973. Alguns métodos terapêuticos de aplicação de ventosas também foram encontrados em um livro por Zouhou Fang, ao redor de 28 aD. O tratamento de alguns casos de tuberculose foram registrados em Weitaimiyao, em 755 aD. Trezentos anos depois, outro clássico antigo, Susen Liang Fang, registrou a cura de uma tosse crônica e o restabelecimento da saúde após mordeduras de cobra venenosa por meio da ventosaterapia (Che Bin, Dr.He Chong, comunicações pessoais, 1995).

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Ventosas de chifre

Há cerca de 500 anos, um cirurgião famoso chamado Wei Ke Zen Zong apresentou um registro detalhado dos métodos de aplicação de ventosas usados na prática cirúrgica. Através de vários milhares de anos de experiencia acumulada, as aplicações clínicas da técnica de ventosa se tornaram progressivamente vastas. Atualmente pode ser utilizadas para o tratamento das síndromes “Bi”, asma, resfriado comum, tosse crônica, problemas de indigestão e de algumas patologias da pele. Durante a dinastia Jin, Ge Hong (281-341 aD), em seu livro “A Handbook os prescriptions for emergencies“, mencionou pela primeira vez o suso de chifres de animais como meios de drenagem de pústulas. Zhao Xueming, da dinastia Qing (1644-1911), em seu Suplemento ao “Outline of herbal pharmacopoeia“, escreveu um capítulo à parte sobre o assunto sob o título “Fire-Jar Qi” (O Qi do Jarro de Fogo). A ventosa natural feita de chifre foi substituída por ventosas feitas com bambu, cerâmica ou vidro.

A um ditado na China “Com Acupuntura e ventosa, mais da metade das doenças é curada”. Zhao Xue Ming, um médico que viveu a mais de 200 anos, compilou um livro intitulado Ben Cao Gang Mu She Yi, no qual ele descreve detalhadamente a história e a origem dos diferentes tipos de aplicação de ventosas, suas formas, funções e aplicações.

Nos anos 50, a eficacia das ventosas foi confirmada por “Co-Research of China” e por acupunturistas da antiga União Soviética e o método de ventosa foi estabelecido como prática terapêutica oficial nos hospitais de toda a China, até hoje. Essa decisão estimulou substancialmente o desenvolvimento de novas pesquisas sobre a técnica.

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Ventosas de plástico/acrílico

No Ocidente

Os antigos egípcios foram os primeiros a fazer o suso sistemático das ventosas. Ebers Papyrus, considerado o texto médico mais antigo que se tem registro, escrito aproximadamente em 1550 a.C., no Egito, descreve sangrias feitas por meio de ventosas para “remover a matéria estranha do corpo”. Galeno e Hipócrates eram também grandes defensores da técnica de ventosas. Antigamente a técnica era usada apenas com o propósito de provocar sangrias. Naquela época havia duas escolas com filosofias distintas em relação a doença do corpo ou fazer sangrar com o intuito de drena-la.
Galeno frequentemente censurava o renomado médico Erasistraus, que clinicava em Alexandria, no Egito, no terceiro século a.C., por não fazer o uso de ventosas. Erasistraus usava o jejum para quase todo tipo de cura. Entre os egípcios e as várias nações que habitavam aquele país, parece que a aplicação de ventosas tem sido considerada uma forma de tratamento para quase todo tipo de doença te também um meio importante para preservar a saúde.

Alpinos cita a autoridade de Heródoto da Grécia (413 a.C) para reafirmar seu uso: “A escarificação, com ventosas possui o poder de evacuar a matéria ofensiva da cabeça, reduzir a inflamação, restaurar o apetite, fortalecer o estômago fraco, eliminar a vertigem, secar supurações, conter hemorragias, promover evacuações menstruais e outros.”

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Ventosas de borracha

Em seu livro “Galen on blood letting”, Peter Brain indica que, para Galeno (129-200 aD), a doença e a saúde eram definidas em termos de sua natureza. “A doença é um estado artificial do corpo”, declara Galeno, “que prejudica uma função. A saúde é um estado que está em harmonia com a natureza e que determina as funções”. Podemos ver a semelhança com a teoria da MTC, onde a doença ocorre pelo desequilíbrio do yin e yang.

Galeno continua demonstrando estratégias de tratamento quase idênticas aos citados no antigo tratado chinês abordado em “o livro do imperador amarelo”, na relação paciente, enfermidade e natureza, informa também que essa também era a opinião de Hipócrates.

A milhares de anos, todos os autores médicos distinguem duas formas de aplicação de ventosas: Seca e Molhada. Na aplicação Seca, não há remoção de sangue do corpo. Remove-se o ar da ventosa e esta é aplicada na pele, que fica intumescida (inchada). Na técnica Molhada, o processo começa com a aplicação Seca e, em seguida, várias incisões são feitas na pele para coletar sangue.

O cirurgião Charles Kennedy escreveu em 1826 “A arte da aplicação de ventosas tem sido tão bem conhecida e seus benefícios há tanto tempo percebidos, que é absolutamente desnecessário trazer testemunhos a favor do que tem recebido aprovação não somente da comunidade moderna, mas também a ratificação dos mais antigo povos da história humana”.

Entre os egípcios, que introduziram a sangria na Grécia, a aplicação de ventosas era o tratamento habitual para quase toda enfermidade e, sem dúvida, eles herdaram esse método dos povos mais antigos do Oriente, de quem obtiveram outros conhecimentos.

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Ventosas elétricas

Samuel Bayfield ilustra cinco diferentes tamanhos de equipamento de ventosa em seu livro. Ele faz a seguinte avaliação da história das ventosas na Europa:
“Essa antiga arte foi levada dos egípcios aos gregos por Cecrops, que emigrou com seus companheiros do Egito, estabeleceu uma colônia na Grécia e construiu a cidade de Atenas no ano do Mundo de 2448; apesar de haver indícios de que essa prática já era conhecida entre antigas civilizações de outros países e até em algumas tribos de selvagens incultos, a origem real desse método ainda é obscura e não há como comprovar as primeiras práticas, pois não há registro delas. Verificou-se que os nativos da América, hotentotes, hindus, habitantes das Ilhas do Mar do Sul e da Nova Holanda, japoneses e chineses praticavam há muito tempo a operação de aplicar ventosas”. “Observando outra parte dos trabalhos de Hipócrates, parece que os mais antigos médicos gregos faziam uso de ventosas grandes, empregadas para a redução de deslocamentos de vértebras, pois supunham que os ossos, quando protuberantes para dentro, poderiam ser colocados de volta a sua posição normal pela sucção com ventosas”. De Hipócrates, que morreu com a idade de 101 anos em Larissa, na Tessália, no ano 361 a.C, essa arte foi passada por sucessivos médicos, os quais valorizaram ou negligenciaram o método!”
“No ano 360, floresceu Oribasius, professor de Medicina de Alexandria e médico de Júlio, o apóstata. Ele tece muitos comentários sobre sangrias localizadas e ventosas. No século quinto, com o final da intervenção dos godos, vândalos e outros bárbaros destruíram todos os centros de erudição e aniquilaram as artes , não só as científicas como todas as artes de forma geral; os conhecimentos de medicina também sucumbiram com a ruína generalizada; mas no século nove, depois que os sarracenos expulsaram os godos, encontramos esse método nas mãos dos árabes na Espanha, os quais fizeram uso da técnica por trezentos ou quatrocentos anos. No ´seculo seguinte, encontramos Rhazes empregando amplamente essa técnica associada com a escarificação, por meio da qual ele curou o Rei Hamet de um ataque de apoplexia. Com a ciência árabe começando a se estender para a Itália – para os espanhóis eles estabeleceram correspondência médica com os médicos italianos – e os gregos emigrando para a Itália no século 15, a Itália se tornou o campo favorito da ciência médica”. “Em 1683, Bellini, um eminente médico italiano, favoreceu o procedimento da Técnica Seca de Ventosa”.

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Ventosas de bambu

Declínio do uso de Ventosas

A utilização das ventosas desapareceu na América e na Europa no início do século 20, mas seu desaparecimento foi gradual e quase despercebido. Alguns dos dispositivos mais sofisticados para aplicação de ventosas foram inventados num período em que os médicos, em sua maioria, já consideravam as ventosas ineficazes. Um dos últimos defensores da sangria na América, Heinrich Stern, escrevendo em 1915, também defendeu o uso de uma bomba de sucção elétrica para retirar sangue. Ele declarou que as equimoses poderiam se prolongar com o uso de um motor elétrico por 15, 30 minutos, ou mais Além de alguns dispositivos sofisticados, as ventosas simples, especialmente a técnica seca das aplicações, continuaram sendo razoavelmente utilizadas até o início da década de 40. Embora as aplicações de ventosas não fossem mais indicadas pelos médicos, a maioria das companhias de material cirúrgico fazia propaganda de ventosas, escarificadores e conjunto de ferramentas para o tratamento com ventosa durante a década de 20 e até nos anos 30. Depois desse período, nunca mais foi usada por um médico, sendo relegada aos serviços dos barbeiros. Era comum o anúncio na vitrine de uma barbearia: “Ventosas para resfriados”.
A descoberta dos vários antibióticos e das drogas redutoras da febre também contribuiu para o declínio da ventosaterapia.

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Novo interesse pela ventosaterapia

Hoje em dia, à medida que aumenta o número de pessoas que buscam as terapias alternativas para tratar seus problemas de saúde, as terapias como aromaterapia, reflexologia, quiroprática, osteopatia, Tui-Na, massagem e Acupuntura se tornaram populares. A educação e a conscientização das pessoas também mudaram, passando a ver aqueles remédios “charlatanescos” como tratamentos alternativos mais respeitáveis. tanto na América como na Europa, a instrução do terapeuta alternativo tem outro propósito. Infelizmente, a maioria das escolas de Acupuntura não inclui em seu currículo a carga horária adequada para o estudo da ventosaterapia.

Tipos de ventosas

No decorrer desse texto fui postando fotos de diferentes formas de ventosas, entre elas: ventosas eletromagnéticas, portáteis, ventosas com parafusos, com válvulas, com tampos de borracha, de bambu e de vidro.

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