Patologias

DISMENORREIA – Cólica menstrual uterina

O termo dismenorreia é derivado do grego e significa fluxo menstrual difícil (Motta, 2000). Acredita-se que cerca de 50% a 90% das mulheres apresentem cólica uterina em algum momento de suas vidas, sendo que 10% das pacientes tornam-se incapazes de desenvolver suas atividades habituais em decorrência da dor (Motta, 2000).

A dismenorréia é uma síndrome caracterizada por um ou mais sintomas que se manifestam no período pré ou intra-menstrual. Essa cólica menstrual habitualmente inicia no abdômen inferior e, ocasionalmente, é descrita como dor ou peso no hipogástrio, podendo irradiar-se para a região lombar e face interna das coxas (Freitas et al., 1997). A dor geralmente é mais intensa no primeiro dia da menstruação e, em mais de 50% dos casos, é acompanhada por outros sintomas como náuseas, vômitos, palidez, cefaléia, diarréia, vertigem e desmaio (Fonseca, 2000).

A dismenorréia pode ser classificada quanto à sua intensidade e à sua etiologia (Bastos, 1988). Quanto à sua intensidade, existem formas leves, moderadas e graves. As duas últimas podem até mesmo, interferir no bem estar das pacientes, chegando a ser uma das mais importantes causas de ausência no trabalho e na escola (Motta, 2000). Quanto à sua etiologia, a dismenorréia pode ser classificada como primária ou funcional, e em secundária ou orgânica.

A dismenorréia primária se caracteriza por não apresentar causa orgânica que a justifique (Poli & Silveira, 1994) e é o tipo mais comumente diagnosticado entre as adolescentes (Strasburger, 1989). Segundo este mesmo autor, a dismenorréia funcional coincide com o início dos ciclos ovulatórios e regulares, o que costuma ocorrer com maior freqüência cerca de dois anos após a menarca (primeira menstruação). A maioria das adolescentes apresenta uma menarca indolor, iniciando com algum desconforto meses ou anos após a primeira menstruação. A partir dos primeiros episódios de cólicas, a freqüência eleva-se continuamente, alcançando um pico máximo por volta de 20 anos de idade e diminui a partir desta faixa etária (Nathan, 1983). De modo geral, a dismenorréia primária costuma iniciar juntamente ao fluxo menstrual, ou imediatamente a este (Sanfilippo & Schroeder, 1999) e apresentar duração de poucas horas a alguns dias (Strasburger, 1989).

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A dismenorréia secundária compreende 5% das dismenorréias (Poli & Silveira, 1994) onde há uma causa orgânica que explique sua origem. Nestes casos, a dor pode se apresentar de modo atípico imediatamente a partir da menarca ou numa idade mais avançada (Nathan, 1983). A dor associada à dismenorréia secundária depende da causa básica. Dentre as causas de dismenorréia secundária com origem ginecológica, as mais comuns são: inflamações pélvicas, varizes pélvicas, tumores pélvicos, adenomiose, endometriose, pólipos, miomas, uso de DIU, cistos ovarianos, estenose cervical, malformações congênitas do trato urinário (Bastos, 1991).

Quanto à fisiopatologia, o fator mais importante parece ser a elevação dos níveis de prostaglandinas, o que favorece a exacerbação de contrações uterinas (Ylikorkalo, 1979). Essa contração exagerada promove a redução do fluxo vascular uterino, causando hipóxia e isquemia, aumentando ainda mais o quadro doloroso (Bortoleto, 1995). Além disso, a ação das prostaglandinas estimula contrações na musculatura lisa do estômago, intestino e vasos sangüíneos, resultando daí os sintomas associados como náuseas, vômitos, diarréia, irritabilidade e cefaléia (Rehme, 1996).

Alguns autores afirmam existir associação entre dismenorréia e uma quantidade menor de prática esportiva, assim como com ciclos menstruais regulares e com fluxo menstrual mais prolongado (Strasburger, 1989). Desajustes psicossomáticos, como rejeição da feminilidade e uma visão negativa da menstruação, também já foram propostos para tentar explicar a origem do quadro (Rehme, 1996).

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Entre os efeitos do anticoncepcional temos: cefaleia, náuseas, alteração do fluxo menstrual, aumento de peso, espinhas, alteração de humor, diminuição da libido, risco de trombose

Uma abordagem terapêutica adequada deve considerar, segundo Bastos (1998), o manejo durante a crise e, também, nos intervalos das crises. O manejo das crises possui uma conotação paliativa e de emergência na qual recomenda-se repouso, analgesia, antiespasmódicos, calor local e até ansiolíticos em casos selecionados. O tratamento fora das crises visa a cura da paciente, sendo profilático na dismenorréia primária através do uso de antiinflamatórios e de anticoncepcionais orais (ACO), e terapêutico nos casos orgânicos, sendo direcionado à patologia de base. Os anti-inflamatórios não esteróides (AINES) constituem a primeira escolha na terapêutica da dismenorréia primária e seu mecanismo de ação envolve a redução da síntese de prostaglandinas, bem como uma ação analgésica central (Bortoleto, 1995). A eficácia do tratamento com AINES costuma ser superior a 80% (Motta, 2000). Os contraceptivos hormonais orais diminuem a dismenorréia por sua ação anovulatória, bem como promovendo hipoplasia endometrial, diminuindo o fluxo menstrual e reduzindo as prostaglandinas (Rehme, 1996). A eficácia dos anticoncepcionais orais situa-se em torno de 90%. Algumas das vantagens dos AINES sobre anticoncepcionais orais são a sua administração de apenas alguns dias durante o mês e sua ação, também, nos demais sintomas associados à dismenorréia, como as náuseas, diarréia, palidez e cefaléia (Sanfilippo & Schroeder, 1999).”

Texto tirado do artigo:
Schmidt, Ellen, and Liliane Diefenthaeler Herter. “Dismenorréia em adolescentes escolares.” Adolesc. latinoam 3.1 (2002): 0-0.

 

moxa abdominal

Na Medicina Tradicional Chinesa

Podemos dividir a dismenorreia em dois tipos, do tipo shi que se deve a coagulação de xue no útero causada pelos transtornos emocionais tais como ansiedade, melancolia e raiva, ou pela invasão do frio ou bebidas frias durante a menstruação, dismenorreia do tipo xu que ocorre pela insuficiência de qi e xue e também a disfunção dos canais Ren e Chong.

Diferenciação

Tipo shi : com dor fixa pré-menstrual no ventre, a dor piora com a pressão e pode irradiar para a região lombar e para as pernas, a dor diminui gradualmente após a vinda da menstruação que é geralmente de cor roxa, escuro e coágulos, a menstruação é menos fluida e o pulso é de corda.

Tipo xu : com dor no ventre nos últimos dias de menstruação ou pós menstruais, dor surda e continua que se alivia com a pressão e o calor moderado, com menstruação escassa e de cor vermelho fresco. Em casos graves aparece a sensação de aversão ao frio, palpitação e tontura. Com pulso filiforme e fraco.

Tratamento tipo shi

Os pontos são selecionados principalmente nos canais Ren e do baço para ativar a circulação de sangue e remover a obstrução dos canais. Usa-se acupuntura com o método para dispersar. Em casos do tipo frio é bom usar a moxabustão.

Exemplo de pontos : Zhongji (Ren 3), xuehai (BP 10), diji (BP 8), hegu (IG 4), gaju (E 27).

Xuehai ativa a circulação de sangue. Diji é o ponto xi do canal Baço-Pâncreas, combinado com o ponto Hegu é indicado para dor menstrual. Zhongji e Daju são pontos locais usados para remover a estagnação de xue e aliviar a dor.

acupuntura abdominal1

Tratamento tipo Xu

Escolhemos pontos do canal Ren e os pontos shu antigos dos canais do Baço-Pâncreas e Rim como pontos principais para regular e fortalecer o qi e xue. Usa-se acupuntura com o método para tonificar combinada com moxabustão.

Exemplo de pontos : Guanyuan (ren 4), pishu (B 20), shenshu (B 23), zusanli (E 36), sanyinjiao (B 6).

Usamos moxabustão no ponto Guanyuan para esquentar e fortalecer o qi original. Pishu e Shenshu regulam e promovem a função do Baço e do Rim. Zusanli e Sanyinjiao são pontos distantes usados para fortalecer o Baço e o Estomago, origem da formação do xue.

NOTAS
A dismenorreia está relacionada em geral com as enfermidades locais do sistema genital, desordens endócrinas ou com fatores neurológicos e psicológicos.

Auriculoterapia
Podem ser usados pontos do Ovário, Shenmen da orelha, Endócrino.
É necessário manipular as agulhas intermitentemente e relativamente forte até que a dor venha se aliviar.

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